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Irma derruba laranjais e Flórida pode perder metade da safra

Marvin G. Perez e Bailey Lipschultz

(Bloomberg) -- Milhares de laranjas ainda verdes cobriam o chão da Bereah Grove em Frostproof, na Flórida. Algumas laranjeiras quebraram, outras foram arrancadas do solo e outras ficaram sob as águas após a passagem do furacão Irma. Essa plantação de laranjas é uma de muitas da Alico, o maior produtor de cítricos dos EUA, que estavam vulneráveis no caminho do Irma.

Joel Rivera, 65, que trabalha para a Alico em irrigação em Frostproof, disse que sua maior preocupação era com a quantidade de frutas que tinham caído. "As árvores não me preocupam muito", disse Rivera. "Aqui caiu uma árvore, lá tem outra debaixo d'água, mas o furacão arrancou muitas frutas dessas laranjeiras."

A Alico, com sede em Fort Myers, EUA, declarou na terça-feira que a maioria de suas plantações em oito condados da Flórida está intacta, mas que parece ter havido uma grande perda de frutas. Em comunicado, a empresa afirmou que ainda não calculou a dimensão do estrago nos 19.000 hectares de laranjeiras que possui ou administra. Isso pode demorar várias semanas, declarou a Alico. As ações da empresa deram um salto de 13 por cento nesta semana e apagaram as perdas da sexta-feira, quando o Irma estava chegando ao continente.

A tempestade que arrasou o estado nos últimos sete dias pode ter arrancado metade das frutas dos laranjais da Flórida, segundo a maior organização de produtores de laranja do estado, reduzindo ainda mais uma safra que, de acordo com as expectativas, ia ser a menor em 50 anos. Isso poderia trazer problemas para a produção na safra que vem na Flórida, a maior fonte de laranjas para suco dos EUA.

Os futuros do suco de laranja, que estavam ao preço mais baixo em 13 meses ainda em julho, subiram 21 por cento desde 30 de agosto, quando o furacão começou a se formar no Oceano Atlântico.

"O estrago provavelmente foi pior do que o esperado -- mais vasto", disse Donald Selkin, estrategista de mercado em Nova York da Newbridge Securities, que administra cerca de US$ 2 bilhões. "Isso pode prejudicar as safras futuras."

Devastação

O Irma, o evento meteorológico mais devastador da história da Flórida, chegou justo quando os produtores estavam acabando neste mês a colheita que marcaria o quinto ano consecutivo de queda da produção. A propagação de uma praga que ataca as árvores, a "citrus greening", a expansão das cidades e os estragos periódicos causados por furacões reduziram a superfície de plantação de cítricos. Os custos dos cultivos aumentam e os americanos estão tomando menos suco de laranja que antes.

"O preço dos futuros não reflete as perdas de 40 por cento ou 50 por cento das colheitas", disse James Cordier, fundador da Optionsellers.com, enquanto esperava um voo em Cleveland, Ohio, para voltar ao escritório em Tampa, Flórida. "Se as últimas estimativas de perdas forem corretas, os preços poderiam subir 20 a 25 centavos de dólar. Os americanos terão que pagar mais ou se acostumar a beber suco brasileiro."

--Com a colaboração de Megan Durisin e Fabiana Batista

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