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Carros elétricos podem impulsionar boom no mercado de níquel

Mark Burton e Jack Farchy

31/10/2017 15h15

(Bloomberg) -- A Glencore e a Trafigura Group quase nunca têm a mesma opinião, mas há uma coisa em que estão de acordo: o mercado do níquel mudará com o boom dos carros elétricos.

O sulfato de níquel, um ingrediente fundamental das baterias de íon-lítio, verá sua demanda crescer em 50 por cento, para 3 milhões de toneladas até 2030, disse Saad Rahim, economista-chefe da Trafigura, em entrevista. Outros metais usados em baterias, como o cobalto e o lítio, mais do que dobraram desde o começo do ano passado, mas os preços do níquel foram moderados devido aos grandes estoques.

"Do ponto de vista estrutural, deveríamos começar a ficar otimistas agora", disse Rahim. "Será possível satisfazer a demanda quando o momento chegar, considerando a insuficiência de investimento na oferta?"

Sua visão coincide com a perspectiva da Glencore, que recentemente disse aos analistas que a produção de níquel teria que aumentar 1,2 milhão de toneladas até 2030, mais da metade da produção global atual, para acompanhar a demanda do setor de baterias. Atualmente, os preços mais do que dobram o custo de extração do metal para a Glencore.

É uma mudança de ânimo surpreendente para um mercado com uma reputação desastrosa. O níquel foi durante anos um empecilho para a Glencore, que arcou com operações deficitárias após adquirir a Xstrata. Em 2015, ela vendeu uma mina de níquel na Austrália, comprada pela Xstrata por US$ 2,4 bilhões em 2007, por apenas US$ 19 milhões.

"O setor de níquel tem sido uma espécie de fracasso desde mais ou menos 2007", disse Oliver Ramsbottom, sócio da McKinsey & Co. em Tóquio, em entrevista por telefone.

Queda

A indústria de baterias poderia reviver a prosperidade das mineradoras mais de uma década após o colapso do níquel, que caiu de um pico de US$ 51.600 por tonelada em 2007, quando a Indonésia e as Filipinas começaram a inundar o mercado de oferta de baixa qualidade. O níquel atualmente é cotado a US$ 11.870, uma alta de 18 por cento no ano.

As baterias futuras provavelmente usarão mais níquel e menos cobalto, disse Rahim. Os preços do cobalto dispararam e a maior fonte de oferta é a República Democrática do Congo.

Contudo, alguns analistas se mostram céticos quanto à realização dos cenários otimistas. Os veículos elétricos ainda são um setor de nicho e o excesso de níquel continua sendo uma ameaça, com os estoqueis atuais quatro vezes maiores do que desde o começo de 2012.

A Indonésia autorizou sua maior produtora a exportar mais minério de níquel. As Filipinas também falaram em suspender uma proibição de mineração a céu aberto, gerando preocupação com um aumento da oferta.

"Durante anos o mercado descartou completamente a ideia de que algo positivo poderia acontecer com o níquel", disse Ingrid Sternby, analista de pesquisa da Blenheim Capital Management LLP, em uma entrevista em Londres. "Com os recentes anúncios sobre a Indonésia e as Filipinas, é fácil ver por que o mercado ainda é assustador e por que as pessoas não querem se envolver".