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Pequenos investidores perdem alto em mini-IPOs nos EUA

Matt Robinson e Ben Bain

(Bloomberg) -- Um executivo foi condenado por declarações falsas ao fisco, outro por obstrução de justiça e um terceiro foi acusado de vender ações sem registro.

Ainda assim, três pequenas empresas ligadas a esses executivos abriram o capital nos EUA no que pode ser o mercado mais extravagante de Wall Street: as mini-IPOs.

Só foram sete companhias até agora. Uma estreou na Bolsa de Valores de Nova York valendo apenas US$ 43 milhões - menos de 3 por cento do valor de mercado típico de uma empresa listada ali. E o dinheiro veio principalmente de investidores individuais.

Algumas das instituições financeiras que trouxeram essas empresas para o mercado também têm nome sujo na praça. As autoridades recomendam cautela a quem quiser se envolver.

"É extremamente difícil policiar essas ofertas", disse William Galvin, principal regulador de valores mobiliários do Estado de Massachusetts. Nenhuma das empresas listadas sofreu acusações, mas essas colocações minúsculas são investimentos de altíssimo risco. Todas perderam valor desde que abriram o capital, com queda média de 40 por cento.

As mini-IPOs (sigla para initial public offering) surgiram a partir de uma legislação adotada em 2012 para eliminar a burocracia, ajudar pequenas empresas a abrir o capital e estimular a economia. Porém, há poucas evidências de que a lei, conhecida pela sigla JOBS, tenha incentivado muitas IPOs ou criado muitos empregos. O número de operações de abertura de capital diminuiu nas últimas duas décadas e a queda se acentuou nos últimos anos porque as empresas conseguem captar dinheiro junto a fundos de private equity e venture capital, de acordo com Robert Bartlett, professor de Direito na Universidade da Califórnia em Berkeley.

Novos limites

Segundo uma das regras da legislação, que foi adotada pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), em 2015, pequenas empresas podem vender ações declarando menos informações e tentar captar dinheiro junto a investidores menos abastados mesmo se seus papéis não forem negociados em uma grande bolsa de valores. O governo do presidente Donald Trump quer ampliar o tamanho máximo dessas ofertas do tipo crowdfunding de US$ 50 milhões para US$ 75 milhões.

A SEC se recusou a comentar. A Comissão informou que aproximadamente 25 empresas levantaram mais de US$ 235 milhões sob o regime até 2016. A maioria não listou ações em bolsa.

A Adomani, que faz tecnologia para converter motores de veículos a gás em elétricos, abriu o capital em junho na Nasdaq e contratou um famoso ex-atleta de luta greco-romana, Bill Goldberg, para promover a empresa entre centenas de milhares de seguidores dele no Twitter e Instagram. Desde então, a ação caiu 49 por cento e a companhia ainda não deu lucro. Adomani e Goldberg não retornaram solicitações de comentário para esta reportagem.

"Fui totalmente enganado"

A ShiftPixy desenvolveu um aplicativo que conecta empresas com pessoas dispostas a trabalhar por hora. A companhia promoveu sua colocação de US$ 12 milhões no Twitter, Instagram, Facebook e no canal por streaming sobre finanças Cheddar. A ação caiu aproximadamente 47 por cento na Nasdaq.

Seu cofundador Stephen Holmes foi condenado a 15 meses de prisão em 2003 por fraude tributária. Em 2013, o Estado do Alabama determinou que o atual presidente, Scott Absher, parasse de vender instrumentos financeiros, após ser acusado de oferecer investimentos sem registro e que não geravam o retorno prometido. Ele negou as acusações.

Cary Hartline, 22 anos, comprou ações da ShiftPixy no mercado secundário após ler sobre a empresa em um fórum online para investidores. Quando o papel perdeu 8 por cento sem motivo aparente, o gestor de redes sociais que vive em Dallas começou a pesquisar e descobriu o passado de alguns executivos.

"Fui totalmente enganado", conta Hartline. "Não acredito que essas companhias existam."

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