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Risco eleitoral assombra metade do índice de títulos emergentes

Natasha Doff

(Bloomberg) -- Os investidores de títulos emitidos por países emergentes devem embolsar as melhores taxas de retorno em cinco anos em 2017. Mas que se preparem para 2018, quando o risco político vai predominar nesse mercado.

Nos próximos 12 meses, haverá eleições em nações que representam mais de 50 por cento de um índice Bloomberg Barclays que acompanha os títulos em moeda local de países em desenvolvimento.

Embora o resultado da votação em países como a Rússia seja bastante previsível, disputas acirradas em nações como Brasil e México têm potencial para provocar ondas de volatilidade que podem pegar investidores desprevenidos. Eles aumentaram as apostas em ativos de mercados emergentes neste ano, na esperança de obter retorno mais elevado, diante dos rendimentos ínfimos nos países desenvolvidos.

"Os investidores definitivamente começaram a pensar sobre isso, mas desconfio que não estão preparados", disse Kieran Curtis, gestor de recursos da Aberdeen Standard Investments, em Londres. "A eleição no Brasil só acontece mais para o fim do ano, mas os gestores de ativos ainda têm muito risco por lá."

A história ensina que os investidores deveriam começar a se aprumar. Um relatório publicado pelo Citigroup neste mês detalhou os riscos eleitorais nos próximos 18 meses em 20 países, concluindo que as eleições tiveram papel essencial para definir o momento em que "as coisas dão errado" nos mercados emergentes.

Os analistas do banco destacaram as crises financeiras no México nas décadas de 1970, 1980 e 1990, que coincidiram com eleições, além das eleições parlamentares na Argentina em 2001, que abriram caminho para a moratória meses depois. A incerteza em relação à eleição no Brasil em 2002 fez com que os spreads da dívida brasileira se alargassem 2,45 pontos percentuais, afirmaram.

"Não é que existe uma 'praga eleitoral' ou que toda eleição garanta volatilidade", afirmaram os analistas. "Mas, historicamente pelo menos, há uma conexão tênue entre eleições e crises."

Segundo os analistas, as eleições com maior potencial de mexer com os mercados vão ocorrer no Brasil, México e África do Sul, pois os três países se deparam com disputas imprevisíveis e apertadas. Eles recomendam que os investidores se protejam da volatilidade cambial fazendo alocações maiores em dólar três ou quatro meses antes das votações.

Vem mais por aí

O primeiro turno da eleição presidencial no Chile, no domingo, foi um sinal de alerta para a volatilidade que pode surgir. O peso chileno sofreu a maior queda entre as moedas de países emergentes na segunda-feira, depois que o queridinho do mercado, Sebastián Piñera, conseguiu vantagem menor do que se esperava, colocando em risco a vitória dele no segundo turno, no mês que vem.

A eleição presidencial na Colômbia pode ser "interessante" se mudar a perspectiva de crescimento econômico lento, de acordo com Curtis, da Aberdeen Standard.

A estratégia favorita dele para lidar com o risco eleitoral é aumentar a participação dos ativos de países que recentemente saíram ilesos de um ciclo eleitoral. Sua aposta preferida é a Argentina, que deu vitória fácil aos aliados do presidente Mauricio Macri nas eleições parlamentares de outubro. A Rússia pode ser uma boa opção após a votação, em março, segundo ele.

"Será ótimo a Argentina resolver todas as suas questões politicas até o ano que vem, especialmente por causa de seu grande programa de emissão de dívidas", disse Curtis. "Os investidores provavelmente começarão a tomar posições em antecipação às eleições no início do ano novo."

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