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Separados pelo golpe de 'ontem' poderão ser os aliados de amanhã

Simone Iglesias e Mario Sergio Lima

(Bloomberg) -- Menos de 18 meses após o impeachment da presidente Dilma Rousseff seus aliados no Partido dos Trabalhadores já negociam alianças com siglas que a derrubaram do poder.

Apesar da persistente amargura sobre a brutal luta de poder do ano passado, líderes do PT em sete estados estão atualmente negociando alianças eleitorais com o PMDB, do presidente Michel Temer. Até mesmo a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, precisa do apoio do PMDB para garantir sua reeleição ao Senado.

Embora a política fragmentada do Brasil geralmente resulte em alianças estranhas em níveis regionais, os acordos PT-PMDB são particularmente dignos de atenção, dado o que ocorreu no impeachment.

Tanto Dilma quanto seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, continuam criticando o "golpe" quase que diariamente nas mídias sociais, mas os dois ex-líderes suavizaram consideravelmente a retórica nas últimas semanas.

Enquanto Lula falou publicamente de seu "perdão" aos apoiadores do impeachment, Dilma disse que não se opõe a alianças com certos integrantes do partido de Temer.

"Precisamos criar um clima de reunificação", disse Dilma recentemente à Deutsche Welle. "Não pode ser um clima vingativo".

Apesar de listar alguns senadores do PMDB que se opuseram a seu impeachment, Dilma reconheceu que "seria difícil formar uma aliança com o PMDB em nível nacional".

A executiva nacional do PT ainda não declarou uma posição oficial sobre alianças para 2018. Nas eleições municipais do ano passado, o partido recomendou que seus diretórios regionais evitassem fechar acordos com o PMDB, recomendação que foi ignorada pelo partido em centenas de cidades.

Quanto ao PMDB, Romero Jucá, presidente do partido, disse à Bloomberg que não é da natureza do partido proibir alianças.

"Não há, e não haverá, proibir ou banir isso pelo diretório nacional do PMDB", disse Jucá.

Pragmatismo é vital caso as duas siglas desejem manter o status de maiores do Brasil, de acordo com o analista político André Pereira César.

Apesar do possível aprofundamento da polarização política no Brasil no próximo ano, os chefes dos partido provavelmente manterão as cabeças frias.

"Houve essa retórica de golpe, mas nos estados você precisa de algo diferente", disse ele. "Os legalistas dos partidos apenas terão de engolir. É parte do jogo. Eles vão segurar o nariz e votar".

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