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Hotéis de Belém lotam, desafiando tensões em Jerusalém

Fadwa Hodali e Gwen Ackerman

21/12/2017 11h51

(Bloomberg) -- Na cidade da Cisjordânia venerada como local de nascimento de Jesus, os hotéis estão a plena capacidade para o Natal, apesar das recentes tensões israelo-palestinas pela decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de considerar Jerusalém, perto dali, como a capital de Israel.

"Não tivemos nenhum cancelamento desde o anúncio de Trump e estamos 100 por cento reservados para a noite de Natal", disse o diretor de relações públicas do Ministério do Turismo palestino, Jeries Qumsieh.

O anúncio de Trump sobre Jerusalém, em 6 de dezembro, indignou os palestinos, que reivindicam a parte oriental da cidade sagrada -- que abriga lugares sagrados das três religiões monoteístas -- para uma futura capital. A decisão também provocou manifestações em todo o mundo islâmico. A Assembleia Geral das Nações Unidas deve votar nesta quinta-feira uma resolução crítica sobre a medida depois que os EUA vetaram uma similar no Conselho de Segurança, nesta semana.

A Autoridade Palestina antecipa um recorde de 2,7 milhões de turistas neste ano, contra 2,2 milhões em 2016. Qumsieh atribui a ascensão ao marketing ativo feito em países islâmicos como Indonésia e Turquia e a atrações culturais como o Walled Off Hotel, do artista de rua Banksy, em Belém, em frente à barreira de segurança de concreto de 7,9 metros de altura coberta de arame farpado que Israel construiu ao longo e dentro da Cisjordânia.

Walled Off Hotel

Qumsieh disse que o interesse no hotel de três andares, com quartos com vista para o grafite que cobre essa parte da barreira, aumentou os números do turismo. O hotel comentou a decisão de Trump sobre Jerusalém na página inicial de seu website.

"Desde o anúncio do presidente Trump sobre a transferência da embaixada dos EUA, há potencial de distúrbios na região", diz. "No momento a situação é excelente."

O italiano Mario Ricci, de 38 anos, visita Belém pela primeira vez neste ano. Ele disse que não temia por sua segurança, mas lamentou que os atritos tenham se agravado com a declaração dos EUA.

"Escolhi a época do Natal para estar aqui porque queria viver e sentir o espírito do Natal", disse ele. "É triste o que está acontecendo nesta parte do mundo. Esta é a cidade da paz e o que Trump fez só inflamará a região, não trará paz."

O ministério teme que o turismo seja afetado se as tensões não forem neutralizadas, disse Qumsieh. Nos últimos anos, a violência com Israel teve forte impacto nas visitas à região.

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