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Boom de energia renovável no México desafia liderança do Brasil

Vanessa Dezem

(Bloomberg) -- A explosão dos projetos de energia limpa do México colocou o país lado a lado com o Brasil na corrida por investimentos, e o México está prestes a superar o antes indiscutível líder regional.

Os investimentos no mercado de energia limpa do México mais do que sextuplicaram no ano passado, para US$ 6,17 bilhões, segundo dados da Bloomberg New Energy Finance. O resultado contrasta com o crescimento de 10 por cento no Brasil, para US$ 6,21 bilhões.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, abriu os mercados de energia, gás natural e petróleo do país à concorrência após décadas de monopólio estatal, em uma tentativa de reduzir os custos para os consumidores e estimular o crescimento.

"A reforma mexicana aumentou a confiança", disse Luiza Demoro, analista da Bloomberg New Energy Finance em São Paulo. "Esses investimentos provêm de projetos concedidos nos primeiros leilões e de acordos fechados diretamente com empresas."

O forte consumo industrial de energia e a boa perspectiva de crescimento econômico do México continuarão atraindo investimentos para os projetos de energias renováveis nos próximos dois anos, segundo Demôro. O país construirá cerca de 7,8 gigawatts entre 2018 e 2020 como resultado de três leilões.

"O México certamente superará o Brasil nos próximos dois anos", disse Helena Chung, analista da Bloomberg New Energy Finance. "O Brasil tem poucos investimentos planejados até 2020. Os dois anos sem leilões de energia solar e eólica afetaram o mercado brasileiro de energia limpa."

O governo brasileiro cancelou dois leilões em 2016, quando a dura crise econômica limitava a demanda por eletricidade.

Os investimentos na Argentina subiram de US$ 200 milhões para US$ 1,8 bilhão no ano passado, também impulsionados por políticas pró-mercado, por novos leilões e pela melhora da confiança dos investidores, segundo Ana Verena Lima, da Bloomberg New Energy Finance.

O Chile atraiu US$ 1,5 bilhão, 55 por cento a mais do que em 2016, mas 60 por cento a menos que em 2015, quando o mercado de energia limpa estava no auge de crescimento.

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