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Países bálticos minúsculos viram grandes exportadores de trigo

Agnieszka de Sousa

(Bloomberg) -- Alguns dos menores produtores de trigo da União Europeia estão se tornando os maiores exportadores da região, arrebatando a participação de mercado de concorrentes próximos de maior porte.

A Lituânia dobrou as remessas do grão até agora nesta temporada e a Letônia quintuplicou, graças a colheitas maiores e à qualidade inferior das safras de grandes fornecedores, como a Alemanha e a Polônia. Embora representem menos de 5 por cento da produção da UE, os dois países bálticos são atualmente os maiores exportadores do bloco, depois da França e da Romênia.

Os Países Bálticos, incluindo a Estônia, costumam cultivar trigo com um teor mais alto de proteína e competem com a Alemanha e a Polônia, onde as exportações caíram pelo menos pela metade nesta temporada porque a chuva afetou a qualidade da safra. A recuperação da produção do Báltico também significa que há mais para vender: a Lituânia teve sua segunda maior safra em pelo menos duas décadas e a da Letônia foi a terceira maior, mostram dados do Conselho Internacional de Grãos.

"Os Países Bálticos têm menos concorrentes para exportar para fora da UE", disse Alexandre Boy, analista da consultoria agrícola Agritel, com sede em Paris. O trigo do Báltico frequentemente vai para mercados como a Arábia Saudita, o segundo maior comprador da oferta da UE.

As exportações combinadas da Lituânia, da Letônia e da Estônia representaram um quarto das vendas da UE até agora nesta temporada, um aumento em relação a apenas 6,5 por cento no ano anterior, mostram dados da Comissão Europeia. Em comparação, a participação da Alemanha, da Polônia e da Romênia caiu de 61 por cento para 37 por cento. Essa queda ocorre em um momento em que compradores locais da Alemanha e da Polônia estão pagando mais do que alguns clientes do exterior, o que desencorajou as exportações.

A mudança no comércio está acontecendo em meio a uma queda geral nas remessas de exportação da UE, que registram baixa de 20 por cento em relação ao ano passado. O bloco tem tido dificuldade para competir em um mercado global excessivamente abastecido por ofertas baratas provenientes da Rússia.

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