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Sem dinheiro, fazendeiros americanos temem fusão ADM-Bunge

Mario Parker

22/01/2018 12h02

(Bloomberg) -- Se você está procurando motivos para contestar uma possível fusão entre Archer-Daniels-Midland e Bunge, fale com Mark Watne.

Da quarta geração de fazendeiros da família, ele cultiva trigo, milho e soja e outras culturas em cerca de 650 hectares na região central de Dakota do Norte. Watne vende a maior parte da produção ao sistema local de cooperativas de fazendeiros, mas ocasionalmente também faz negócios com a ADM, a letra A do ABCD, o grupo de gigantes do agronegócio que também inclui Bunge, Cargill e Louis Dreyfus.

A situação dos produtores rurais dos EUA já é difícil devido à queda dos mercados agrícolas; no ano passado, a renda deles foi 49 por cento menor em relação à de 2013, segundo dados do governo. A combinação da ADM com a Bunge -- a primeira recentemente tentou uma negociação para fusão com a última, segundo uma pessoa a par do assunto -- seria uma redução indesejável da concorrência entre os compradores de grãos, segundo Watne.

"É quase impossível ganhar dinheiro atualmente", disse ele em entrevista. "Estamos chegando a um ponto em que, sem nem sequer tentar", as traders "têm a capacidade de influenciar o mercado" devido à concorrência menor.

A União Nacional dos Fazendeiros dos EUA tem o mesmo ponto de vista. "A aquisição da Bunge pela ADM se somaria à série de consolidações realizadas em todos os segmentos agrícolas", disse Rob Larew, vice-presidente de políticas públicas e comunicação do grupo, em comunicado. "É hora de pôr fim à consolidação desenfreada na agricultura."

A ADM, com sede em Chicago, e a Bunge, com sede em White Plains, Nova York, preferiram não comentar sobre a possível fusão.

A indústria agrícola já está passando por uma consolidação significativa. A fusão do ano passado entre a Dow Chemical e a DuPont combinou duas das principais produtoras de sementes e produtos químicos agrícolas dos EUA. Outros dois grandes nomes do setor, a China National Chemical Corp. e a Syngenta, também se combinaram. A terceira megafusão do setor, a aquisição da Monsanto pela Bayer, de US$ 66 bilhões, ainda aguarda aprovação regulatória; o Departamento de Justiça dos EUA tem procurado produtores rurais que se opõem ao acordo.

"Houve muita consolidação no lado das despesas do agricultor", disse Seth Goldstein, analista da Morningstar em Chicago, em entrevista por telefone. "Agora eles temem ser espremidos por ambos os lados."

Mesmo que a ADM acabe não avaliando um acordo, existem outras possíveis pretendentes para a Bunge. A gigante suíça Glencore tem a ambição de ampliar sua unidade agrícola e no ano passado abordou a empresa norte-americana para uma fusão. Rejeitada, assinou um acordo suspensivo que a impede de apresentar outra proposta. Quando o acordo expirar, poderá fazer uma nova tentativa.

As ações da Bunge fecharam em alta de 11 por cento em 19 de janeiro depois que a abordagem da ADM veio à tona porque os investidores se animaram com a possibilidade de fusão. Mas, no ambiente atual, o acordo pode ser assustador para os produtores rurais, disse Goldstein.

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