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Thomson vende divisão à Blackstone e volta a focar em jornalismo

David Scanlan

31/01/2018 14h28

(Bloomberg) -- David Thomson, membro da terceira geração da família mais rica do Canadá, voltará às suas raízes no jornalismo com a venda da unidade de dados financeiros de sua empresa à Blackstone Group.

Thomson, cujo avô, Roy, lançou o império de mídia com uma pequena estação de rádio em 1931, concordou na terça-feira em vender uma participação de 55 por cento da divisão para a Blackstone Group, o que avalia a unidade em US$ 20 bilhões. Na esteira de uma década difícil marcada por altos e baixos das finanças globais, assim como por reviravoltas na mídia tradicional, Thomson irá desfazer a fusão entre a Thomson e a Reuters Group que ele mesmo organizou há apenas dez anos.

"Este é um momento crítico na história da empresa", disse Douglas B. Taylor, sócio da Burton-Taylor International Consulting, em entrevista telefônica. "Por muitos anos eu pensei que um dia nós veríamos a família vender a divisão de dados financeiros. Desde a aquisição da Reuters havia um alto nível de desconforto."

O acordo permitirá à família Thompson, cujo holding familiar controla a Thomson Reuters, com sede em Toronto, conservar parte da receita da unidade de dados financeiros, que cresce mais lentamente, e manter as unidades legal e contábil e o serviço de notícias da Reuters, herdeiro daquele que transmitia os preços de ações através do Canal da Mancha no século 19.

Estação de rádio

As notícias sempre foram algo muito importante para as três gerações da família Thomson, inclusive enquanto construíam empresas legais, educacionais e de dados financeiros e reuniam uma das maiores coleções de pinturas canadenses quando suas fortunas cresceram.

Roy Thomson fundou a empresa familiar -- que ajudou seus descendentes a reunirem uma fortuna conjunta de cerca de US$ 22 bilhões -- com a compra de uma estação de rádio em North Bay, Ontário, há 87 anos. Roy, vendedor de rádios na época da Depressão, achava que seria mais fácil vender seus equipamentos se houvesse mais estações.

Poucos anos depois, ele comprou um jornal na cidade vizinha de Timmins, e isso foi o começo do que seria um império de 200 jornais que abrangia a América do Norte e o Reino Unido, entre eles The Times, antigamente considerado a joia da coroa dos jornais britânicos. Por isso ele -- e depois o filho, Ken Thomson -- recebeu o título de Lord Thomson of Fleet.

Ligação emocional

O filho de Ken, David Thomson, 60, tomou as rédeas da Woodbridge, a holding da família, após a morte de Ken, ocorrida no escritório no dia do aniversário de David, em 2006. Pouco depois, ele fez o maior negócio da história da empresa, comprando a Reuters por US$ 17 bilhões e incorporando o serviço global de notícias à sua divisão de dados financeiros.

Apesar de David não intervir tanto como líder empresarial quanto o pai, ele mantém uma ligação emotiva com a divisão jornalística, em particular com o jornal do pai, o canadense The Globe and Mail.

"The Globe and Mail é particularmente significativo para nós como família", disse Ken Thomson à Bloomberg News em entrevista em 2004 após a reunião anual da Thomson em Toronto. "Não vamos deixar nada acontecer com The Globe and Mail."

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