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Assistir a vídeos de gatinhos no trabalho pode tirar a atenção, diz estudo

Jeremy Kahn

(Bloomberg) -- Há anos os economistas tentam decifrar o chamado "paradoxo da produtividade". A revolução digital das últimas quatro décadas não resultou em grandes ganhos na produção por trabalhador, como ocorreu após os grandes avanços tecnológicos do passado. Em muitas economias desenvolvidas, a produtividade estagnou ou até caiu.

Um estudo da Microsoft embasa uma das teorias elaboradas para explicar essa desconexão. Em uma pesquisa com 20 mil trabalhadores europeus, divulgada nesta segunda-feira (5), a Microsoft --que se tornou uma das empresas mais lucrativas do mundo vendendo programas que aumentam a produtividade no trabalho-- reconhece que novas tecnologias digitais, em determinadas circunstâncias, podem tornar o negócio menos produtivo.

A empresa sediada em Redmond, no Estado de Washington, se junta a diversos empreendedores e companhias de peso do Vale do Silício que começam a questionar os benefícios sociais das tecnologias que promoveram. Em dezembro, o Facebook alertou que sua rede social pode, em alguns casos, causar danos psicológicos.

A Microsoft identificou diversas razões possíveis desse impacto negativo: os funcionários se distraem com um influxo constante de e-mails, mensagens, notificações, postagens no Twitter (sem falar nos vídeos de gatinhos que viralizam) e têm dificuldades para sustentar a concentração; os trabalhadores não são adequadamente treinados para usar as novas tecnologias de modo eficaz; tecnologias que não são adequadamente administradas pelo negócio, causando perda de tempo porque "os computadores não funcionam"; além de trabalhadores esgotados por sentirem que, com dispositivos móveis e trabalhando de casa, têm a vida dominada por seus empregos.

Obviamente a Microsoft não afirma que a tecnologia atrapalha a produtividade em todas as situações, mas que o impacto da tecnologia depende muito da cultura da organização. Quem tem "cultura digital forte" obteve ganhos de produtividade, enquanto o mesmo não aconteceu com as que, segundo a Microsoft, têm "cultura digital fraca".

Pela definição da Microsoft, uma companhia tem forte cultura digital quando seus empregados são adequadamente treinados para usar novas tecnologias e têm acesso a informação, quando os gestores promovem a adoção de novas tecnologias e os executivos deixam claro para os funcionários como a tecnologia se encaixa na visão estratégica da empresa.

Nessas companhias, aproximadamente 22% dos funcionários relataram que se sentem altamente produtivos e apenas 5% que se sentem improdutivos.

Nas empresas de cultura digital fraca, somente 12% se consideram altamente produtivos e 21% se sentem improdutivos. Os autores do estudo notaram que a parcela de 22% que relata alta produtividade "sugere que é preciso fazer mais para ajudar cada funcionário a fazer seu melhor no trabalho".

A pesquisa também descobriu que a cultura digital tem grande impacto sobre como as novas tecnologias mudam os sentimentos de engajamento com o trabalho.

Onde a cultura digital é forte, o maior uso de tecnologia intensificou sentimentos de motivação e foco entre os funcionários. Nas companhias com cultura digital fraca, o efeito foi oposto: quanto mais a empresa implementava tecnologias, mais os trabalhadores se sentiam distantes.

Na introdução ao estudo, Michel van der Bel, que preside as operações da Microsoft na Europa, Oriente Médio e África, afirmou que as empresas precisam olhar para a adoção de novas tecnologias digitais como uma "jornada de pessoas" e não apenas como um "exercício de TI".

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