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Brasil descarta muro para conter refugiados venezuelanos

Samy Adghirni e Simone Iglesias

16/02/2018 15h35

(Bloomberg) -- O Brasil não fechará as portas para os venezuelanos, mesmo diante da expectativa de aumento no número de imigrantes que fogem da crise no país vizinho. A informação é do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

Os comentários dele coincidem com a chegada incessante de refugiados em Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, e recebeu dezenas de milhares de pessoas no último ano. Com a intensificação do fluxo migratório, o governo declarou estado de emergência social na região.

Na quinta-feira, o presidente Michel Temer assinou um decreto autorizando a liberação de recursos para segurança em Roraima e assistência humanitária aos refugiados. Com muitos deles pedindo esmola nas ruas, as tensões na área também aumentaram. A polícia de Boa Vista procura quem provocou um incêndio em um abrigo para venezuelanos no começo do mês. A Colômbia, que recebeu 96.000 imigrantes somente em novembro, aumentou o controle na fronteira com a Venezuela na semana passada e enviou 2.000 soldados à região.

Ainda assim, o Brasil não tem planos de fechar a fronteira, aconteça o que acontecer.

"Vamos administrar a entrada, não vamos fechar a fronteira, fazer muro. Não há essa hipótese.", disse Nunes. "Nossa previsão é que (número de refugiados) possa aumentar porque a situação (na Venezuela) está se deteriorando."

Eleições na Venezuela

À medida que a crise política e econômica se aprofundou, a Venezuela se viu cada vez mais isolada na vizinhança. O anúncio recente do plano de realizar uma eleição presidencial em 22 de abril provocou uma reprimenda do chamado Grupo de Lima e o Peru retirou o convite ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, para a Cúpula das Américas deste ano.

Maduro afirmou na quinta-feira que vai ao encontro mesmo assim.

Nunes descartou a possibilidade de não reconhecer o resultado da eleição. "Não reconhecer não tem significância legal ou prática", ele explicou. "Vamos precisar de algum tipo de canal humanitário."

O ministro admitiu que Maduro ainda parece contar com apoio significativo dos militares e se recusou a elaborar sobre o desenrolar da crise.

"Vai haver um colapso? Vai haver uma transição? Se houver uma transição, quem vai negociar? Não há como prever", ele disse. O potencial papel do Brasil como mediador entre governo e oposição foi descartado pela equipe de Maduro, acrescentou Nunes.

O ministro também lamentou a falta de ideias por parte do Departamento de Estado dos EUA sobre como lidar com a crise e afirmou que o governo americano poderia fazer mais para pressionar os aliados de Maduro na Organização dos Estados Americanos (OEA).

"Os EUA não sabem o que fazer na América Latina", ele afirmou.