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Preocupadas com Amazon, empresas correm para o Google: Gadfly

Shira Ovide

16/02/2018 13h41

(Bloomberg) -- O impetuoso pioneiro da TV a cabo John Malone recentemente comparou a Amazon.com à Estrela da Morte. As empresas cujas ações foram esmagadas pelos rumores de interesse da Amazon em seus setores certamente concordam com a avaliação de Malone.

Os executivos em busca de aliados que os protejam do Império da Amazon aterrissaram no Google e na Microsoft. Aparentemente, o melhor caminho de a empresa se proteger do Líder Supremo Jeff Bezos é encontrar um gigante que não seja uma ameaça imediata.

Em agosto passado, o Walmart e o Google tornaram mais fáceis as compras no Walmart por meio das caixas de som ativadas por voz do Google. Anúncios de parcerias semelhantes entre Google e outras rivais da Amazon, como EBay e Target, vieram na sequência.

O CEO do Google, Sundar Pichai, disse aos analistas em outubro que a empresa estava dedicando mais atenção às empresas de varejo devido ao interesse delas em computação em nuvem, publicidade on-line, pagamentos digitais e outros serviços oferecidos pelo Google (e pela Amazon). Pichai não mencionou o temor das empresas de varejo em relação à Amazon, mas usou o termo "efeito de volante", que, bem, é uma das frases favoritas de Bezos.

Nesta semana, Diane Greene, chefe da divisão de nuvem do Google, foi mais direta em relação às motivações da empresa. Em conferência, ela disse que o Google é considerado uma mão amiga por empresas de varejo, produtoras de software e firmas de outros setores que não têm vontade de usar o serviço de nuvem da Amazon. "Agora todas estão olhando para a Amazon", disse Greene. "Somos amigos delas."

É o que se espera que o Google diga, claro. Mas há evidências curiosas de que algumas empresas estão realmente evitando o Amazon Web Services, seu negócio de nuvem. A rede de supermercados Kroger usa os produtos de nuvem da Microsoft e do Google, mas não os da Amazon. "Não faz sentido para nós empreender tanto esforço para ajudar a ampliar esse negócio para eles", disse um executivo da Kroger à CNBC no outono passado (Hemisfério Norte). Analistas de ações da Piper Jaffray também ouviram empresas de serviços financeiros e de logística expressarem preocupação com o uso de produtos da Amazon e, no lugar, estão optando pela Microsoft.

Descendo a lista de setores privados que mais gastam em tecnologia da informação -- saúde, bancos, varejo, seguros --, todos temem a chegada da Amazon. É difícil quantificar o efeito do medo da Amazon sobre a Amazon. O crescimento das vendas com comércio eletrônico e da receita com nuvem da empresa mostra alguns sinais de desaceleração. O AWS na verdade voltou a acelerar no quarto trimestre.

A paranoia em relação à Amazon não é novidade. Algumas empresas há muito evitam vender seus produtos na Amazon ou usar as ferramentas de pagamentos da empresa. Minha colega Sarah McBride também escreveu há mais de um ano sobre empresas de varejo que incentivavam umas às outras a abandonarem o AWS devido à preocupação de que o dinheiro delas fortaleceria a operação de comércio eletrônico da Amazon.

O que mudou é que a Amazon entrou em uma fase mais Estrela da Morte. Após a impressionante aquisição da rede de supermercados Whole Foods, no verão passado (Hemisfério Norte), ficou parecendo que qualquer empresa ou setor poderia entrar na mira da Amazon. As preocupações a respeito das possíveis incursões da empresa podem ter motivado uma fusão de US$ 68 bilhões no setor de saúde. Isso não é normal.

O medo corporativo generalizado da Amazon inclusive chamou a atenção do website Onion, que no ano passado publicou um artigo de opinião satírico escrito por "Jeff Bezos" com o título: "Meu conselho para qualquer pessoa que esteja abrindo um negócio é lembrar que algum dia te esmagarei." Bom conselho.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.