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Oportunidade em tecnologia médica reacende romance Israel-China

Gwen Ackerman e Li Hui

(Bloomberg) -- Em uma das maiores conferências sobre tecnologia da história de Israel, cerca de 10.000 investidores percorreram estandes de startups, aprenderam como a inteligência artificial pode ajudar a tratar doenças neurológicas e visitaram o consultório de um médico do futuro.

A ocasião escolhida foi uma cúpula realizada em fevereiro pela OurCrowd, a plataforma de investimento por crowdfunding com sede em Jerusalém. Quase um de cada cinco visitantes veio da Ásia, a região da China, que gasta mais de US$ 100 bilhões por ano em medicamentos com receita.

Em um momento em que o governo pressiona por mais inovação na saúde, os investidores chineses -- já grandes apoiadores das empresas americanas de aparelhos médicos e biomedicina -- estão voltando as atenções para Israel, onde as avaliações das empresas são mais baixas e os empresários estão famintos por novos mercados.

"Vemos muitas ótimas oportunidades", disse Kelvin Yu, diretor-gerente da Enter Venture Partners, com sede em Hong Kong, que tem investido pessoalmente em algumas empresas israelenses de tecnologia médica. "Queremos que as empresas chinesas usem tecnologia israelense e a comercializem na China, uma relação vantajosa para todas as partes."

Origens militares

No consultório médico do futuro, os participantes fizeram análise de glicose no sangue com a Dario Health -- uma startup cujo medidor de bolso ajuda a controlar o diabetes --, depois se submeteram a um mapeamento da atividade neural com a EIMindA e a exames físicos com telemedicina pela internet.

"A união da inteligência artificial com a alta tecnologia está transformando a saúde", disse Morris Laster, sócio da OurCrowd MedTech. "É uma revolução enorme."

Muitas tecnologias israelenses de saúde têm origem militar. A Memic Medical, por exemplo, tomou a tecnologia usada para pilotar drones e a adaptou a um sistema de robô cirúrgico para laparoscopia controlado com braços de fora do corpo.

Benjamin Chang, que também é diretor-gerente da Enter, disse que durante a conferência se reuniu com a Zebra Medical Vision, que usa aprendizagem de máquina para ensinar os computadores a ler e a diagnosticar dados de imagem. Ele diz que a inovação israelense pode ajudar a reduzir os custos médicos do governo chinês.

Em seu mais recente plano de cinco anos, Pequim "estabelece metas e afirma que quer mais tecnologia médica produzida na China em vez de importadas", disse Landon Lack, fundador da China MedConnect, uma empresa transnacional de aparelhos médicos. O investimento em tecnologia israelense capaz de ser produzida e comercializada na China é uma forma de estimular a economia da inovação no país.

Mercado gigantesco

A China é o segundo maior mercado farmacêutico do mundo, mas está atrasada em relação aos EUA e a outros mercados desenvolvidos em inovação. Entre os 12 países que mais contribuíram globalmente para pesquisas e desenvolvimento farmacêutico em 2015, a China representou apenas 4 por cento e quase a metade veio dos EUA, segundo relatório de associações do setor de 2016.

Pequim afirmou que deseja criar campeãs nacionais da saúde e a pressão do governo por medicamentos inovadores estimulou uma injeção de dinheiro no setor. A estimativa é que fundos de capital de risco e de private equity de ciências da vida tenham investido quase US$ 11 bilhões na China em 2017, contra US$ 5 bilhões em 2016, segundo a ChinaBio Consulting. A relação com Israel, embora em expansão, continua pequena.

--Com a colaboração de Caroline Chen

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