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Sucessão aumenta interesse por carta anual de Buffett

Noah Buhayar

22/02/2018 12h21

(Bloomberg) -- A carta anual de Warren Buffett aos acionistas da Berkshire Hathaway será divulgada no sábado e pode trazer dicas sobre os planos do bilionário de 87 anos para sua sucessão e seu conglomerado.

Além de atualizar como andam as coisas na companhia que ele constrói há mais de cinco décadas, Buffett provavelmente acrescentará à publicação deste ano pitadas de sabedoria financeira e otimismo em relação à economia dos EUA, além de uma ou outra piada provocadora.

Além da liderança futura da empresa, Buffett deve discutir a recente reforma tributária nos EUA, os desafios na área de seguros e a iniciativa de saúde em conjunto com JPMorgan Chase e Amazon.com. Segue abaixo uma breve análise desses temas:

Abel e Jain

Em janeiro, Buffett promoveu Ajit Jain e Greg Abel a cargos de vice-presidência para cuidar de grandes partes da Berkshire. Jain, 66 anos, foi encarregado das operações de seguros e Abel, 55, ficou responsável por todas as outras subsidiárias. Ambos também foram nomeados ao conselho.

Jain e Abel ergueram negócios significativos para Buffett ao longo dos anos e foram muito elogiados pelo bilionário. Jain comanda a resseguradora da Berkshire há décadas e Abel supervisionou uma grande expansão na divisão de energia.

Buffett descreveu as promoções como "parte de um movimento na direção da sucessão". Que ninguém se surpreenda se Abel ou Jain se tornar presidente do conglomerado um dia.

Mudanças tributárias

A nova legislação tributária dos EUA foi uma benção para a Berkshire. Segundo analistas do Barclays, a redução da alíquota para empresas somou ao valor contábil da Berkshire no quarto trimestre US$ 37 bilhões. Esse aumento extraordinário resultará da diminuição da carga tributária sobre investimentos que se apreciaram. Por exemplo, ações da Coca-Cola compradas décadas atrás e que multiplicaram de valor.

No longo prazo, as implicações da legislação tributária são menos claras.

Desafios nas apólices

Buffett frequentemente rasga elogios para suas operações de seguros, como Geico e Berkshire Hathaway Reinsurance Group. Os prêmios que recebem garantem um fluxo contínuo de dinheiro que pode ser usado para investir. Por mais de uma década, a emissão de apólices deu lucro.

O ano passado foi diferente. Uma sequência de catástrofes naturais, incluindo os furacões Harvey, Irma e Maria, castigou o setor. As perdas da Berkshire não foram desproporcionais, mas a divisão de seguros teve prejuízo nas apólices nos nove primeiros meses de 2017 e o grupo deve registrar resultado anual negativo pela primeira vez desde 2002.

A expectativa é que Buffett reafirme seu compromisso com o negócio mesmo após um ano difícil.

Saúde

Buffett se refere aos custos de saúde como uma "lombriga" na economia dos EUA. Agora, a Berkshire resolveu tomar providências. No final de janeiro, o conglomerado anunciou uma parceria com JPMorgan e Amazon para criar uma nova empresa de saúde.

Não se sabe muito sobre a empreita, a não ser que será "livre de incentivos para geração de lucro" e focará no uso de tecnologia para melhorar a transparência para funcionários e reduzir custos. Especulações sobre os objetivos do trio abalaram o setor de saúde.

Em sua carta anual, Buffett deve elaborar porque vê o sistema de saúde como um problema para a economia americana e talvez divulgue detalhes sobre a iniciativa.

--Com a colaboração de Katherine Chiglinsky