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Parques eólicos offshore requerem subsídios, diz Innogy

Brian Parkin

28/02/2018 12h11

(Bloomberg) -- Provavelmente seja cedo demais para esperar que todos os futuros parques eólicos offshore sejam construídos sem subsídios governamentais, segundo uma participante de leilões que prometeu fornecer eletricidade sem apoio estatal.

Os investidores calculam chances elevadas de que os próximos leilões de contratos de compra de energia repetirão os leilões livres de subsídios do ano passado na Alemanha e na Holanda, segundo Holger Gassner, chefe de estratégia da Innogy, uma empresa de eletricidade que participou dos certames do ano passado. Nesta semana, a Alemanha deu início ao seu segundo leilão, que prevê a entrega de 1,6 gigawatt em contratos eólicos offshore no Mar do Norte e no Báltico.

Os custos de instalação de turbinas em águas tempestuosas são elevados, o que impossibilita a maioria das empresas de confiar unicamente nos preços da eletricidade no atacado como garantia do valor das propostas, disse o executivo. Segundo ele, uma proposta ou mais podem ter subsídio zero no encerramento do próximo leilão, em 3 de abril.

"Parques eólicos offshore custam muito dinheiro", disse Gassner em entrevista no evento Euroforum, em Hamburgo. "Esse conjunto perfeito de fatores nos leilões para justificar propostas sem nenhum subsídio o tempo todo simplesmente não existe."

A escala dos parques eólicos offshore é imensa, com custos iniciais de centenas de milhões de dólares. As pás das máquinas mais recentes têm mais envergadura do que as asas dos aviões jumbo e as instalações precisam suportar as ondas violentas e os fortes ventos típicos da região no inverno.

"Os componentes capazes de reduzir os custos, como as melhorias esperadas na tecnologia das turbinas e a proximidade em relação aos parques existentes, podem não se materializar conforme o esperado -- é preciso ver para crer", disse o executivo da Innogy.

A empresa de eletricidade dinamarquesa Orsted, uma das vencedoras do leilão do ano passado, afirmou na ocasião que estava confiante no lucro, considerando a expectativa de queda dos preços dos equipamentos de turbinas. A empresa também projeta que os preços da energia subirão a partir do início da próxima década.

A Innogy está participando do novo leilão na Alemanha, disse Gassner, sem dar outros detalhes. Vattenfall, Orsted, Energie Baden-Wuerttemberg e a empresa de eletricidade espanhola Iberdrola também estão competindo. A Vattenfall apresentou sua primeira oferta com subsídio zero em um leilão offshore holandês, no ano passado.

Entre as empresas que constroem sem um preço mínimo para a eletricidade respaldado por subsídios governamentais é arriscado desenvolver parques eólicos offshore dependentes apenas dos preços futuros da energia no atacado. O valor das ofertas apresentadas no ano passado na Alemanha e na Holanda sugere que as desenvolvedoras esperam a queda do custo dos equipamentos e o aumento do preço da eletricidade, ou pelo menos a estabilidade deste último.

A Bloomberg New Energy Finance estima que o parque He Dreiht da EnBW, que será construído em meados da próxima década no Mar do Norte, poderá ter custos de construção de longo prazo de até 40 euros (US$ 49) por megawatt-hora, valor próximo do preço atual do mercado alemão e pelo menos 5 euros superior aos custos da energia entregue no período futuro de dois meses a dois anos.