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Deere teme retaliação à agricultura dos EUA após tarifas

Tatiana Freitas

21/03/2018 14h04

(Bloomberg) -- A Deere & Company, maior fabricante mundial de equipamentos agrícolas, teme que a crescente tensão comercial entre os EUA e os demais países possa afetar as vendas de suas máquinas verde-amarelas.

As tarifas dos EUA às importações de aço e alumínio terão impacto financeiro na empresa, mas a Deere está "muito mais preocupada" com possíveis retaliações comerciais aos produtos agrícolas do país, disse o CEO Sam Allen.

"Se a China deixar de comprar a soja dos EUA ou o México deixar de comprar o milho dos EUA será muito ruim para os nossos clientes e teremos um impacto muito maior", disse em entrevista na fábrica de equipamentos para construção da empresa em Indaiatuba, São Paulo, na terça-feira.

Cerca de um terço da produção agrícola dos EUA é exportada, disse Allen. Esse fluxo comercial estará em risco se o presidente Donald Trump cumprir as repetidas ameaças de abandonar o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) ou se a China impuser tarifas ou cotas.

Sinais de recuperação

Qualquer restrição aos lucros das exportações dos EUA pode sufocar a retomada da renda dos produtores rurais norte-americanos justamente quando surgem sinais de recuperação dos preços das commodities agrícolas.

"Após quatro anos de colheitas recorde, pela primeira vez vemos uma possível redução" na oferta como resultado da seca na Argentina, disse Allen. "Já podemos ver as reservas globais de grãos em queda e elas nem precisam cair muito mais para que os preços das commodities subam."

Quanto aos metais usados na fabricação das máquinas da Deere, a tarifa de importação preocupa porque as siderúrgicas americanas poderão elevar os preços de forma significativa, disse Allen, acrescentando que o aço poderia subir em torno de 30 por cento no curto prazo. Ainda assim, não será possível avaliar o impacto do custo enquanto o governo dos EUA não fornecer mais detalhes a respeito das tarifas e confirmar se países como Canadá e México não serão afetados, disse.

Sem uma guerra comercial, a demanda por equipamentos agrícolas pode continuar aumentando à medida que os produtores forem substituindo as máquinas antigas, disse. Nos EUA, as vendas de máquinas devem permanecer nos níveis atuais pelos próximos quatro ou cinco anos na ausência de condições melhores de preço, acrescentou.

A previsão da empresa para as vendas de máquinas agrícolas na América Latina neste ano fica entre a estabilidade a um aumento de cerca de 5 por cento. A queda na demanda argentina, resultado da forte seca que atingiu o país nesta safra, pode compensar os possíveis ganhos no Brasil, onde a renda dos produtores deve ser maior do que a esperada inicialmente devido à recente alta nos preços da soja.

Allen esteve no Brasil para a inauguração da linha de produção de tratores de esteira da Deere em Indaiatuba, a primeira da companhia fora dos Estados Unidos. A fábrica, que recebeu investimentos de aproximadamente R$ 80 milhões, produzirá tratores de esteira para o mercado de construção doméstico e para exportação. Mais de 80 países serão atendidos com a produção de Indaiatuba, segundo ele.

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