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Advogados de Londres diferem sobre real diferença salarial

Suzi Ring e Hannah George

16/04/2018 12h20

(Bloomberg) -- Os números chegaram e, à primeira vista, não eram os piores: a diferença salarial média entre gêneros nos 25 maiores escritórios de advocacia do Reino Unido em termos de receita era de 20 por cento.

Mas isso estava longe de mostrar o panorama completo.

Enquanto as empresas corriam para relatar os dados da diferença salarial entre homens e mulheres nas últimas semanas, a fim de cumprir as novas leis do Reino Unido, surgiu uma questão imprevista. A maioria dos bancos publicou diferenças de mais de 40 por cento e os escritórios de advocacia pareciam ter números muito melhores. Mas, então, ficou evidente que eles estavam excluindo os dados dos sócios -- a categoria que tem salários mais altos.

"Eles estão manipulando o sistema, é uma brecha legal, e precisa ser fechada", disse Vince Cable, líder do Partido Liberal Democrata do Reino Unido, em entrevista. "É simplesmente inaceitável. Empresas como essas não têm absolutamente nenhuma justificativa."

De acordo com a nova legislação do Reino Unido, empresas com 250 funcionários ou mais devem informar as diferenças salariais entre homens e mulheres na remuneração por hora e nos bônus. É ilegal pagar salários diferentes a pessoas que desempenham o mesmo cargo, mas a nova lei revela outro problema: os homens em geral monopolizam os cargos mais bem pagos e as mulheres permanecem na parte inferior da pirâmide.

No caso dos escritórios de advocacia, este assunto tem estado em evidência há muito tempo devido à falta de sócias, porque raramente as mulheres representam mais de um quinto dos sócios. No entanto, em uma medida não prevista pelos legisladores, a maioria dos escritórios de advocacia não incluiu os sócios nos dados porque eles são pagos com os lucros e por isso são considerados acionistas e não funcionários.

Embora a exclusão dos sócios tenha provocado a indignação de políticos, que criticaram os advogados por cumprirem o texto ao pé da letra e não o espírito da lei, apenas um pequeno grupo de escritórios decidiu retificar seus números. Ao todo, nove dos 25 maiores escritórios de advocacia incluíram os sócios em seus relatórios sobre diferença salarial entre gêneros, de acordo com uma análise dos dados realizada pela Bloomberg News. Entre os que forneceram números completos a diferença salarial média por hora é de cerca de 60 por cento.

No caso do Clifford Chance, que faz parte de um grupo seleto de escritórios de advocacia do Reino Unido conhecido como círculo mágico, incluir os sócios foi importante para ajudar a empresa a mudar, de acordo com Laura King, chefe global de funcionários e profissionais do escritório. A decisão mais do que triplicou a diferença salarial entre homens e mulheres, para 66 por cento.

"É preciso ser transparente, senão você não entenderá o que está acontecendo realmente em sua organização", disse King. "Achamos que não teríamos a oportunidade de fazer uma autoanálise" se excluíssemos os sócios.

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