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A crise de identidade dos emergentes, que abrangem US$ 12,5 tri

Ben Bartenstein

18/04/2018 13h54

(Bloomberg) -- Décadas de promoções, rebaixamentos, avanços e reveses colocaram em uma espécie de crise de identidade os US$ 12,5 trilhões em ações e dívidas de mercados emergentes.

Países tão diferentes quanto Paquistão, Grécia, Coreia do Sul e Chile entram nessa classe de ativos, de acordo com a MSCI Inc. A queda da inflação e a diminuição dos riscos cambiais convenceram alguns bancos, incluindo o Goldman Sachs Group, de que a diferença desses países com nações desenvolvidas está menos visível. No mês que vem, a composição da categoria pode mudar, quando a MSCI divulgar a revisão semestral de índices. Alguns analistas estão se perguntando o que exatamente é um mercado emergente.

O problema é que as referências para definição são espalhadas, disse Sonja Gibbs, diretora sênior do Instituto de Finanças Internacionais, criado durante a crise internacional de dívidas do início da década de 1980. Um aspecto é o desenvolvimento de cada mercado (que abrange tamanho, liquidez, perfil dos investidores domésticos e marco regulatório e jurídico) e outro é o desenvolvimento econômico (renda per capita, perspectiva de crescimento e qualidade institucional).

"O conceito de mercados emergentes já passou da data de validade há muito tempo", disse Gibbs. "À medida que o crescimento dos emergentes continua superando o dos mercados maduros e o universo de investimentos nos emergentes continua em expansão, particularmente na renda fixa, essa distinção vai desaparecendo."

Então o que é um mercado emergente?

No início da década de 1980, os mercados emergentes foram definidos como economias com renda per capita baixa ou média. Segundo acadêmicos, o termo foi introduzido por Antoine van Agtmael, que trabalhava na International Financial Corporation, braço do Banco Mundial. O termo hoje é considerado antiquado.

Quem decide?

Gestoras de recursos e bancos de investimento usam definições próprias, mas muitos seguem as diretrizes de organizações que formulam índices de mercado, como MSCI e FTSE Russell. Ambas se recusaram a fazer comentários para esta reportagem.

Qual é a importância disso?

Designações para índices como os da MSCI ajudam a determinar os fluxos de capital para os países, uma vez que os fundos passivos e fundos negociados em bolsa (exchange-traded
funds ou ETFs) que acompanham esses índices precisam acrescentar ativos desses países a suas carteiras.

E agora?

No momento, há cerca de uma dúzia de países em cada categoria de mercado: "desenvolvido", "emergente" e "fronteira". Em 14 de maio, a MSCI apresentará o resultado da revisão. Listamos abaixo países que podem estar perto de uma promoção:

1) Coreia do Sul pode virar mercado desenvolvido (US$ 2,6 trilhões)

Sede de gigantes globais como Samsung Electronics, a Coreia do Sul é exemplo óbvio de país que logo pode ser universalmente considerado "desenvolvido", segundo Gibbs. A FTSE Russell já deu seu aval, mas a MSCI pontua que os investidores estrangeiros enfrentam barreiras para acessar o mercado e dificuldades para converter seus lucros em outras moedas.

2) Taiwan pode virar mercado desenvolvido (US$ 998 bilhões)

Sistemas de negociação inconvenientes e o fato de a conversão cambial não ser livre atrapalharam a promoção de Taiwan no passado, mas talvez não por muito mais tempo. A ilha é um dos 10 países mais seguros para investidores de títulos públicos, de acordo com um índice de risco da BlackRock, que coloca Taiwan à frente de Canadá, Austrália e Alemanha.

3) Polônia pode virar mercado desenvolvido (US$ 375 bilhões)

Apesar das disputas com a União Europeia em torno de reformas judiciais internas, a Polônia cumpre 22 dos 23 critérios da FTSE para um país ser considerado mercado desenvolvido. Empresas como a varejista de roupas LPP e a fabricante de calçados CCC também estão ampliando a presença em mercados ocidentais.

4) Argentina pode virar mercado emergente (US$ 279 bilhões)

Sob o comando do presidente Mauricio Macri, a Argentina voltou ao mercado internacional de títulos, abriu os mercados de câmbio e removeu impostos sobre transações com ações. Para Kathryn Rooney Vera, da Bulltick, estes são motivos para o país recuperar o status de mercado emergente neste ano.

5) Chile pode virar mercado desenvolvido (US$ 254 bilhões)

O bilionário Sebastián Piñera retornou à presidência do país mais rico da América Latina prometendo "transformar o Chile em uma nação desenvolvida", ao reduzir a pobreza e aumentar o investimento estrangeiro.

6) Emirados Árabes Unidos podem virar mercado desenvolvido (US$ 164 bilhões)

Os Emirados Árabes foram alçados ao status de mercado emergente há apenas cinco anos, mas houve progresso econômico e no desenvolvimento do mercado local, segundo Gibbs. Porém, assim como na China, ainda há obstáculos em termos de transparência e governança.

7) Nigéria pode virar mercado emergente (US$ 110 bilhões)

Uma das maiores economias da África, a Nigéria tem situação demográfica favorável, empresas locais atraentes e estabilidade política, de acordo com Claudia Castro, diretora de pesquisa em renda fixa da Oppenheimerfunds, em Nova York.

8) Zimbábue pode virar mercado de fronteira (US$ 2,2 bilhões)

Há chance razoável de a economia do Zimbábue receber uma significativa injeção de capital no próximo ano, segundo Hasnain Malik, responsável por pesquisa de renda variável da Exotix Capital, em Dubai. O novo presidente, Emmerson Mnangagwa, informou à Bloomberg em janeiro que pretende acessar os mercados de dívida para ajudar a reconstruir a infraestrutura, o que pode dar um impulso ao país africano, que ainda não recebeu classificação como mercado para investimentos.

--Com a colaboração de Samuel Dodge e Adrian Leung