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Alta de US$ 30 bi da Nintendo agora depende de pianos de papelão

Yuji Nakamura e Hideki Sagiike

20/04/2018 14h21

(Bloomberg) -- A Nintendo começou em 1889 como uma fabricante de sucesso de "hanafuda" - um jogo japonês de cartas feitas de papel duro. Agora, a companhia decidiu adotar o mesmo material para seu próximo truque.

A companhia com sede em Kyoto começa a vender nesta sexta-feira uma coleção incomum de acessórios para seu console e tablet Switch: complementos de papelão chamados Nintendo Labo. Com preço de US$ 70 e US$ 80, os kits de papelão para montar em casa, e o software que vem com eles, possibilitarão que os usuários transformem o Switch em um piano em miniatura, no guidom de uma motocicleta, no exoesqueleto de um robô e em outros objetos.

O objetivo: que o apelo do Switch vá além dos jogadores frequentes, responsáveis por vendas estimadas em 17 milhões de unidades no primeiro ano. Jogadores com menos de 16 anos responderam por apenas 10 por cento dos usuários do Switch no ano passado, de acordo com a Nintendo. Tatsumi Kimishima, presidente da Nintendo, gosta de insinuar que o Switch vai igualar ou superar o sucesso de vendas do Wii, um aparelho que também adotou a jogabilidade física. O Labo ressalta o desejo da Nintendo de que o Switch se torne um dispositivo de entretenimento mais versátil e provavelmente será apenas a primeira de muitas iniciativas desse tipo.

"Os principais usuários da Nintendo adoraram o Switch porque a empresa reuniu todos os seus personagens mais fortes no primeiro ano", disse Kazunori Ito, analista da Morningstar Investment Services em Tóquio. "Mas o segundo ano fará com que mais pessoas experimentem o console. Este é o segundo ato do Switch."

Até agora, há muito otimismo em torno do lançamento do Nintendo Labo. As ações da fabricante de papelão Ohmura Shigyo mais que quadruplicaram em janeiro depois que vários blogs especularam que ela era a fabricante por trás do Labo. A Bloomberg informou na semana passada que a Rengo, com sede em Osaka, é uma importante fornecedora para a engenhoca de papelão, o que provocou uma breve alta nas ações da empresa. Ainda assim, esse otimismo não se refletiu nas ações da Nintendo, que tiveram um desempenho 10 por cento inferior ao do índice Nikkei 225 nos últimos 30 dias.

"O preço das ações da Nintendo não calcula que o Labo será um grande sucesso", disse Makoto Kikuchi, CEO da Myojo Asset Management, em Tóquio. "Se começarmos a ver indicações de que está vendendo bem, as ações poderiam subir um nível."

O que também está em jogo é a alta de US$ 30 bilhões na Nintendo desde que o Switch foi lançado, há um ano. Projeta-se que as vendas do Labo no primeiro ano totalizarão de 3,4 milhões a 10 milhões de unidades, de acordo com quatro estimativas compiladas pela Bloomberg, com taxas de adoção por console de 8 por cento a 30 por cento. David Gibson, analista da Macquarie Securities em Tóquio, estima lucro bruto do Labo em cerca de 4 bilhões de ienes (US$ 37 milhões) para o período.