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Fundos de hedge apostam no México e BlackRock soa alarme

Michelle F. Davis e Liz Capo McCormick

23/04/2018 15h13

(Bloomberg) -- Quem conversa com a maioria dos investidores estrangeiros sobre o México atualmente costuma ouvir sempre o mesmo mantra: concentre-se no Nafta agora e preocupe-se com a próxima eleição presidencial depois.

Afinal de contas, a eleição será só em julho e há um crescente otimismo de que o México fechará em breve um acordo comercial revisado com os EUA e sairá relativamente ileso. Neste mês, os fundos de hedge colocaram as apostas otimistas no peso no maior patamar desde setembro e compradores internacionais estão ampliando investimentos em ações.

Para Jack Deino, da BlackRock, estão cometendo um grande erro.

Deino, que é chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da gestora de ativos, afirma que os investidores estrangeiros estão ignorando a possibilidade bastante real de os mexicanos elegerem o populista radical Andrés Manuel López Obrador -- e subestimando as possíveis consequências. AMLO, como o candidato é conhecido localmente, tem gerado nervosismo nas elites política e financeira do país e construiu uma liderança considerável nas pesquisas nos últimos meses. Chegou lá condenando o "neoliberalismo" e a corrupção e prometendo desfazer as iniciativas de abertura da indústria de petróleo estatal.

"É um conto de duas histórias -- os investidores estrangeiros estão extremamente otimistas e não veem muito risco relacionado ao potencial de um governo de AMLO, enquanto isso, seus pares mexicanos parecem mais preocupados", disse Deino. "Boa parte do risco não é considerada nas avaliações. Há apenas um tom positivo por causa do Nafta."

Nos últimos dias, alguns investidores parecem ter despertado para a possibilidade de López Obrador se tornar o próximo presidente do México. O peso, que na semana passada atingiu o patamar mais elevado em relação ao dólar em mais de seis meses, caiu desde então. A forte queda registrada por cinco dias, agora, representa o pior desempenho observado desde novembro de 2016.

As últimas pesquisas mostram que 47,3 por cento dos possíveis eleitores preferem López Obrador, desempenho muito superior ao do candidato da aliança partidária liderada pelo PAN, Ricardo Anaya, de 26,8 por cento, e que o do ex-ministro da Fazenda José Antonio Meade, do partido governista PRI, que tem 18,5 por cento, segundo o Poll Tracker da Bloomberg.

No entanto, entre os investidores estrangeiros, essa fixação pelo Acordo de Livre Comércio da América do Norte -- e pela possibilidade de as tensões comerciais latentes entre o México e o governo Trump serem resolvidas até meados de maio -- ajudam a explicar por que os mercados mexicanos têm resistido tão bem.

Desde que o representante do Comércio dos EUA sugeriu, em 29 de março, a possibilidade de um acordo ser fechado em breve, a moeda e o mercado de ações do México tiveram desempenho superior ao de todos os outros mercados emergentes com exceção da Colômbia. Além disso, os estrangeiros vêm ampliando a posse de dívidas do governo do México durante todo o mês e detêm 62 por cento dos títulos.

"O mercado deve refletir tudo e, com o que sabemos no momento, não sairá nada de bom para o mercado das eleições no México", disse Dirk Schnitker, chefe de vendas de ações latino-americanas da Auerbach Grayson. Mas "o mercado tende a se concentrar em uma coisa de cada vez".