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Alta do dólar alimenta preocupações com os suspeitos de sempre

Srinivasan Sivabalan

24/04/2018 14h23

(Bloomberg) -- O ambiente benigno de inflação sugere que, em sua maioria, os bancos centrais de países emergentes não passarão pela agonia de sustentar suas taxas de câmbio para enfrentar a valorização do dólar.

Gestores de recursos em nações em desenvolvimento estão de olho em duas métricas que giram ao redor de 3 por cento: o rendimento do título do Tesouro americano com prazo de 10 anos (que representa o maior risco à perspectiva cambial) e a inflação média em mercados emergentes (o índice ficou abaixo de 3 por cento no primeiro trimestre, próximo do menor nível em registro).

Embora o rendimento do papel de referência do Tesouro americano tenha ultrapassado essa barreira na terça-feira, um mapa de calor elaborado com indicadores financeiros sugere que os mercados emergentes poderão continuar recebendo fluxos de capital ? contanto que o segundo indicador permaneça abaixo dessa marca.

"A inflação nos mercados emergentes vem recuando nos últimos anos, enquanto as pressões de preços têm subido nas economias desenvolvidas", explicou Luca Paolini, estrategista-chefe da Pictet Asset Management, em Londres. "Isso aumenta a atratividade relativa dos títulos de mercados emergentes, que geralmente rendem mais."

Isso não significa que os suspeitos de sempre sairão ilesos: Argentina, Turquia, Paquistão e Egito têm as piores situações em termos de estabilidade financeira. Se o dólar se valorizar mais, os bancos centrais desses países podem ser forçados a sacrificar reservas para manter a estabilidade cambial.

No entanto, até mesmo economias aparentemente fortes têm pontos vulneráveis que podem deflagrar ondas de depreciação cambial. Investidores citam preocupações com Índia (onde a dívida pública representa quase 70 por cento do PIB, uma das maiores parcelas entre os emergentes), Nigéria (devido à inflação de dois dígitos), Catar (onde as reservas vêm diminuindo como proporção do PIB) e Brasil (por causa da dívida pública).

--Com a colaboração de Lyubov Pronina e Samuel Dodge