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Revlon designa filha de dono como CEO para tentar se recuperar

Kim Bhasin

23/05/2018 13h11

(Bloomberg) -- A Revlon Inc. designou Debra Perelman como CEO em um momento em que a empresa de cosméticos controlada pelo bilionário Ronald Perelman enfrenta uma concorrência intensa e acumula prejuízos.

Perelman, que tem 44 anos e é filha do acionista controlador da empresa, será a primeira mulher a ocupar o cargo de CEO na empresa de 86 anos. Ela se tornou diretora operacional da companhia de cosméticos em janeiro e integra o conselho da Revlon desde 2015.

A promoção ocorre em um momento em que a Revlon busca uma recuperação enquanto tenta se defender de um grupo cada vez maior de concorrentes. Debra Perelman precisará enfrentar um fluxo constante de mudanças no setor, onde lojas de beleza especializadas e ofertas virtuais abalam o mundo da maquiagem e dos cosméticos. A nova líder da companhia planeja investir no comércio eletrônico e digital para estimular o crescimento.

"O setor de beleza se tornou um dos mais dinâmicos e de crescimento mais acelerado hoje em dia, e espero trabalhar com a equipe de primeira linha da Revlon para amplificar nossa estratégia e acelerar o crescimento", disse ela em comunicado.

Perelman foi executiva sênior da MacAndrews & Forbes, empresa de investimentos de seu pai que hoje é dona de mais de 80 por cento da Revlon. Ela sucederá Fabián García, que pediu demissão neste ano, depois de menos de dois anos no cargo. Paul Meister, o presidente da MacAndrews & Forbes, dirigiu as operações diárias da Revlon neste ínterim.

A empresa registrou um prejuízo líquido de US$ 90,3 milhões no trimestre encerrado em 31 de março, depois de ter contabilizado um prejuízo anual de US$ 183,2 milhões em 2017. Por causa deste resultado, e da dívida de grau especulativo de quase US$ 3 bilhões, especula-se que Ronald Perelman tentará reestruturar a empresa ou suas dívidas.

A unidade de beleza da Revlon foi reorganizada em 2017 para se concentrar em sua marca homônima e na Elizabeth Arden, sua grande aquisição. A Revlon comprou a Elizabeth Arden e seus diversos perfumes de celebridades em 2016 apostando que a fusão dessas duas gigantes da beleza em decadência ajudaria a revigorar marcas que tinham perdido o brilho.

Desde então, em vez de gastar dinheiro adquirindo marcas de beleza menores na moda como suas concorrentes Estée Lauder e L'Oréal fizeram, a Revlon destinou seus recursos à reanimar sua carteira, que inclui marcas estagnadas há muito tempo. Além de marcas como Almay, American Crew e Mitchum, a empresa também é dona de perfumes de celebridades, como Britney Spears e Mariah Carey.

"Não consigo imaginar uma maneira melhor de expressar o apoio da MacAndrews & Forbes e sua fé no futuro da Revlon que nomear Debbie para dirigir a empresa", disse Ronald Perelman, que controla a Revlon desde 1985.

--Com a colaboração de Brandon Kochkodin e Vivian Li.