PUBLICIDADE
IPCA
0,64 Set.2020
Topo

App de selfie adorado por milhões dá prejuízo a investidores

Kristine Servando e Kana Nishizawa

25/05/2018 11h19

(Bloomberg) -- Adicione a Meitu à lista de startups de tecnologia chinesas antes promissoras que hoje geram grandes prejuízos aos acionistas.

A produtora do aplicativo de retoque de fotos mais popular da China aproveitou a obsessão do país pelas selfies para fazer uma grande oferta pública inicial de ações em Hong Kong em dezembro de 2016. Mas atualmente a empresa tem uma das ações de pior desempenho da cidade, unindo-se a uma série de IPOs de tecnologia cujas ações ficaram abaixo do preço de emissão em meio a preocupações dos investidores como avaliações elevadas e concorrência intensa.

O ponto crucial das dificuldades da Meitu tem sido sua incapacidade de extrair dinheiro dos aplicativos gratuitos, que alongam membros, iluminam a pele e eliminam manchas. A empresa trata os aplicativos como seu negócio principal embora mais de 80 por cento das receitas venham da venda de celulares de sua marca em um mercado agressivo dominado por empresas maiores como Huawei e Xiaomi. A Meitu deve se tornar rentável pela primeira vez neste ano, mas alguns investidores estão perdendo a paciência.

"Eu mesmo abandonaria as ações", disse Francis Lun, CEO da corretora Geo Securities, de Hong Kong. "A empresa fez promessas vazias. Eles precisam realmente de um plano sólido para gerar lucro."

Alguns dos maiores investidores da Meitu reduziram suas participações nas ações, que perderam mais da metade do valor desde março de 2017.

A incorporadora imobiliária Kingkey Enterprise Holdings, uma das principais investidoras do IPO da Meitu, reduziu sua participação para 9,8 por cento em novembro, contra 14 por cento em julho, segundo dados de comunicados regulatórios compilados pela Bloomberg. Um fundo administrado pela empresa de capital de risco IDG Capital reduziu sua participação para 4,6 por cento em janeiro, contra mais de 7 por cento no fim de 2016, mostram os dados. Um relações públicas da Kingkey preferiu não comentar, mesma postura de um representante da IDG.

Por outro lado, membros importantes da empresa têm comprado ações. Cai Wensheng, o bilionário presidente do conselho da empresa, e o CEO Wu Xinhong ampliaram as compras de ações neste ano, elevando sua participação combinada a 40 por cento, segundo os últimos comunicados ao mercado.

Cai "está confiante em relação à perspectiva comercial futura da empresa e não descarta a possibilidade de aumentar ainda mais suas participações" quando for apropriado, informou a empresa por e-mail.

A Meitu preferiu não responder se está a caminho de registrar lucro, afirmando que tem a política de não fazer previsões de lucros fora dos anúncios formais. A empresa também informou que está confiante em "linhas de receita de rápido crescimento", como publicidade e serviços de internet.

As compras feitas por integrantes da empresa "ajudaram um pouco, mas as pessoas ainda não estão convencidas", disse Alex Wong, diretor de gestão de ativos da Ample Capital em Hong Kong, que afirma ter comprado no IPO da Meitu e desde então reduziu suas ações.

--Com a colaboração de Jeanny Yu, Hannah Dormido e Adrian Leung.

Repórteres da matéria original: Kristine Servando em Hong Kong, kservando@bloomberg.net;Kana Nishizawa em Hong Kong, knishizawa5@bloomberg.net