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Devaneio de bilionário vira pesadelo para bancos da Índia

Anto Antony e Dhwani Pandya

19/06/2018 14h32

(Bloomberg) -- Um antigo paraíso no topo de uma colina está se tornando, para alguns, um inferno na Terra.

A época sem crimes acabou. A coleta de lixo é feita esporadicamente e com isso o lixo está poluindo o lago artificial. As vitrines estão vazias. Os sinais de abandono estão por toda parte: os serviços de manutenção demoram ou não existem. E isso para o que já está construído. As obras de construção inacabadas -- ou seja, a maior parte --, pouco avançam.

Duas décadas atrás, o então bilionário Ajit Gulabchand imaginou algo muito diferente: uma cidade chamada Lavasa, inspirada no porto italiano de Portofino, a quatro horas de carro das favelas e da poluição que permeiam boa parte de Mumbai, a capital financeira da Índia. Para realizar esse sonho, ele contratou arquitetos da HOK, criadores do Terminal Central B do Aeroporto de LaGuardia, em Nova York, e da sede global do Barclays em Londres. Os prêmios de design e a cobertura da imprensa mundial não demoraram a chegar.

Esta seria a primeira cidade da Índia construída e administrada pela iniciativa privada, uma das cinco planejadas para populações de 30.000 a 50.000 habitantes cada, que absorveriam população do interior em busca de oportunidades em áreas urbanas. Nada de burocracia do governo. O custo seria de bilhões de dólares. (A empresa preferiu não informar uma estimativa completa).

Hoje, Lavasa é uma estrutura incompleta que abriga cerca de 10.000 pessoas, um símbolo dos excessos que dominam o segundo país mais populoso do mundo. A Lavasa Corporation enfrenta o que pode ser seu juízo final, já que o banco central da Índia obriga os bancos a reestruturarem dívidas rapidamente ou levarem mal pagadores ao tribunal de falências.

Indiscutivelmente em pior situação que a dos moradores atuais estão as milhares de pessoas que investiram as economias de toda a vida ou pediram dinheiro emprestado para comprar propriedades ali, e agora receiam que elas nunca sejam construídas.

"Em 2012, quando chegamos, isto estava crescendo -- agora deixou de ser um lugar vibrante e se transformou em uma cidade fantasma", disse David Cooper, 63, que mora no asilo para idosos de Lavasa, Aashiana. "Quase ninguém quer ficar aqui."

O que também foi praticamente abandonado foi o plano original de desenvolver cinco cidades com parques temáticos, campi escolares, complexos esportivos e centros de pesquisa nas belas colinas dos Gates Ocidentais, um patrimônio mundial da Unesco conhecido pelas florestas tropicais verdejantes que abrigam 325 espécies de animais vulneráveis ou ameaçados de extinção. A primeira e única cidade construída, Dasve, está repleta de esqueletos de concreto.

Em agosto, os bancos podem não ter outra opção a não ser levar a empresa responsável a um tribunal de falências se seus apoiadores e financiadores não puderem chegar a uma decisão a respeito do plano de recuperação. Em fevereiro, o Reserve Bank of India eliminou vários programas de reestruturação que haviam dado uma sobrevida a Lavasa.

"Estamos administrando o projeto com os recursos limitados que temos", disse Gulabchand, presidente do conselho da Hindustan Construction, em entrevista, no amplo complexo de escritórios da empresa, na parte leste da região metropolitana de Mumbai. "Estamos olhando para o futuro, buscando um plano de solução."

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