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Airbus ameaça suspender investimentos no Reino Unido por Brexit

Alex Morales

22/06/2018 14h24

(Bloomberg) -- A Airbus ameaçou suspender seus investimentos no Reino Unido se o país abandonar a União Europeia sem um acordo, aumentando os riscos para a primeira-ministra Theresa May em um momento em que ela luta por concretizar um Brexit que não destrua a economia do país.

Na advertência mais contundente de uma grande empresa, a gigante do setor aeroespacial disse na noite da quinta-feira que uma saída do mercado comum e da união alfandegária sem um acordo de transição provocaria uma "perturbação grande e a interrupção da produção no Reino Unido". A Airbus, com sede em Toulouse, França, seria obrigada a "reconsiderar seus investimentos no Reino Unido e sua presença a longo prazo no país".

"Esta é uma nova realidade para a Airbus", disse Tom Williams, diretor operacional da Airbus Commercial Aircraft, em comunicado por e-mail. "Simplificando, um cenário sem acordo ameaça diretamente o futuro da Airbus no Reino Unido."

Os comentários também visam May, cujas propostas para que o comércio seja o mais fluído possível após a separação têm sido sistematicamente repelidas. A União Europeia está intensificando sua retórica sobre a probabilidade de uma separação caótica e alertando as empresas de que elas precisam se preparar para o pior. Os legisladores anti-Brexit, por sua vez, aproveitaram para mostrar o anúncio como mais uma evidência de que a abordagem do governo para a separação está prejudicando a economia.

Lutas

O debate sobre o Brexit se concentrou nas últimas semanas nas lutas internas de poder -- brigas no Parlamento, brigas no Gabinete e jogos políticos sobre quem governaria se não se chegasse a um acordo. O aviso da Airbus é um lembrete do que o fracasso em encontrar um resultado negociado significaria para os empregos e as pessoas comuns.

As empresas vêm alertando de que precisam de clareza e instando o governo a tomar decisões. Mas este é o anúncio mais forte até agora e vai além dos lugares-comuns. May irá a Bruxelas neste mês para uma cúpula que deveria ser um momento decisivo nas negociações e o último encontro de líderes antes de o acordo de separação ser assinado em outubro. Mas os pontos principais de discussão serão a falta de progresso e as chances de um fracasso das negociações.

"Fizemos progressos significativos no sentido de firmar uma parceria profunda e especial com a UE para garantir que o comércio permaneça o mais livre e sem fricção possível, inclusive no setor aeroespacial, e estamos confiantes em conseguir um bom acordo que seja mutuamente benéfico", disse um porta-voz do governo.

Os líderes da UE também lembrarão ao Reino Unido na cúpula que se um acordo sobre o Brexit não for fechado, não haverá transição -- o período de carência com o qual as empresas contam nos primeiros 21 meses após a separação.

Mesmo se May garantir a transição planejada, ela é "muito curta" para a Airbus fazer "as mudanças necessárias na sua extensa rede de suprimentos", disse a empresa, acrescentando que monitoraria cuidadosamente quaisquer novos investimentos no Reino Unido e não ampliaria sua base de fornecedores britânicos.

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