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Festa não terminou para o peso mexicano, diz fundo de US$ 523 bi

Yumi Teso e Tomoko Yamazaki

26/07/2018 12h25

(Bloomberg) -- Mercados emergentes sofrem desafios com a retirada dos estímulos monetários pelos principais bancos centrais e com a tensão comercial, mas os ativos mexicanos oferecem valor e o Brasil é atraente no longo prazo, na avaliação do gestor de um dos maiores fundos do Japão.

O risco ao crescimento econômico no México é limitado, contanto que a expansão da economia dos EUA continue, acredita Satoru Matsumoto, gestor de fundos de renda fixa da Asset Management One, que supervisiona o equivalente a US$ 523 bilhões. Ele revela que assumiu uma posição em pesos mexicanos após as eleições por lá no início do mês.

No entanto, Matsumoto não espera grandes avanços. "Moedas de países emergentes sofrerão pressão de baixa pelo resto do ano" devido ao perigo duplo representado pela tensão comercial e pela normalização da política monetária no mundo desenvolvido. "É preciso procurar ativos de mercados emergentes que permanecerão resilientes e não os que vão subir."

Matsumoto compartilha a preferência pelo México com outros investidores japoneses, após a grande vitória de Andrés Manuel López Obrador na votação para presidente.

A Mitsubishi UFJ Kokusai Asset Management também aposta no peso mexicano, que acumula valorização de 5,1 por cento em relação ao dólar neste ano, o melhor desempenho entre as principais moedas de países emergentes no levantamento da Bloomberg. Somente o peso colombiano também tem saldo positivo.

Estas são algumas opiniões que Matsumoto discutiu durante entrevista realizada em Tóquio nesta semana:

Você gosta de alguma economia emergente?

* Da perspectiva de médio a longo prazo, o Brasil tem bom potencial. Se o novo governo seguir com a reestruturação fiscal e a reforma da Previdência após a eleição em outubro, isso seria positivo para o real. Se prestarem atenção na vantagem comercial do País, há espaço para recuperação da moeda.* Porém, no curto prazo, nossa visão do Brasil não é positiva, diante da incerteza eleitoral.

Quais são suas preferências de curto prazo?

* O peso mexicano parece relativamente estável em um ambiente no qual as moedas de países emergentes provavelmente enfrentarão obstáculos para subir significativamente.* Há algum espaço adicional para posições compradas em pesos mexicanos, especialmente porque a eleição ficou para trás.

Qual é a perspectiva para os mercados emergentes pelo resto de 2018?

* Provavelmente haverá alguns períodos de maior risco no curto prazo, como vimos no início de julho.* Em algumas áreas os preços estão atraentes e os riscos são relativamente menores, então há oportunidade para comprar algumas das moedas.* Os mercados emergentes tendem a maior fraqueza no segundo semestre devido a alguma sazonalidade. Novembro costuma ser o pior mês para eles, com alguns fundos fechando os livros.

Onde está o maior risco?

* A Turquia tem déficit em conta corrente, inflação de dois dígitos e pressões bem grandes de saída de recursos. É difícil investir agressivamente na Turquia a menos que esses fatores melhorem, e é preciso considerar os riscos políticos.

O que parece bom na Ásia?

* A Indonésia parece melhor do que a Índia.

* O crescimento forte na Índia é positivo para as ações e é bom para o país no longo prazo. Mas no curto prazo, isso levaria à expansão do déficit em conta corrente, pesando sobre a rupia.* O crescimento na Indonésia pode ser prejudicado pelo aperto monetário, embora medidas fiscais sejam prováveis até a eleição presidencial do ano que vem.* O banco central da Indonésia sinalizou postura sólida de suporte à rupia e, embora Indonésia e Índia ofereçam rendimento bastante elevado, a inflação na Indonésia é menor.

Repórteres da matéria original: Yumi Teso em Bangkok, yteso1@bloomberg.net;Tomoko Yamazaki em Cingapura, tyamazaki@bloomberg.net