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Líder morto-vivo reencarna no Credit Suisse: Bloomberg Opinion

Lionel Laurent

31/07/2018 14h36

(Bloomberg) -- Não faz muito tempo, o Credit Suisse Group era citado juntamente com o Deutsche Bank como banco perdido e com um presidente "morto-vivo". Mas Tidjane Thiam afastou esse prognóstico basicamente porque imitou seu rival suíço UBS Group. Ele enxugou a divisão de negociação de instrumentos financeiros e decidiu focar em gestão de fortunas, sempre cortando custos. Deu certo. O difícil será terminar a última fase da reestruturação sem nenhuma surpresa desagradável.

O desempenho do Credit Suisse no segundo trimestre mostrou que a recuperação está a todo vapor. Os resultados superaram expectativas de modo generalizado, embora os analistas tivessem reduzido previsões nos últimos meses. Thiam diminuiu despesas e o quadro de pessoal sem prejudicar o crescimento. A receita líquida cresceu 7,5 por cento para 5,6 bilhões de francos suíços (US$ 5,7 bilhões), mesmo com a queda dos custos.

É disso que os investidores gostam.

O braço de gestão de fortunas não esteve imune ao surto de nervosismo de clientes ricos que atingiu a concorrência. A receita com transações foi impactada negativamente em casa e no exterior. Ainda assim, o aumento da renda com intermediação financeira e o recuo das despesas embalaram o lucro. A capacidade do banco de atrair dinheiro de clientes abastados não foi abalada. Em termos anualizados e líquidos, o total em novos ativos aumentou 6 por cento no primeiro semestre, aliviando a pressão sobre as margens.

Embora a divisão de negociação de instrumentos financeiros do banco de investimento tenha apresentado desempenho pior do que seus pares em Wall Street (a receita líquida caiu 6 por cento), as unidades de mercados de capitais e assessoria tiveram a melhor receita trimestral em anos. A estratégia de Thiam envolve alocar menos capital para a negociação de ativos e mais para assessoria e gestão de fortunas. Parece estar dando certo, mesmo em um período de tensão política em relação ao comércio internacional.

O problema de sempre no Credit Suisse é a lucratividade. O retorno sobre o patrimônio tangível no primeiro semestre foi 7,2 por cento, maior do que a taxa de 5 por cento apurada um ano antes, mas muito abaixo da meta para 2019, que é de 10 a 11 por cento. Thiam tem clareza sobre o que ainda precisa ser feito: diminuir o estoque de ativos indesejáveis que atrapalham os lucros e continuar cortando custos. São metas factíveis, mas muita coisa pode dar errado ao longo do próximo ano e criar um ambiente mais difícil.

Os investidores compensaram os esforços de Thiam no sentido de restaurar o valor dos acionistas, especialmente comparado a outras trajetórias de recuperação do setor, como o caso do Deutsche Bank. O Credit Suisse é negociado com desconto de 10 por cento em relação ao valor contábil. O desconto do Deutsche Bank chega a 70 por cento. Mas o retorno ainda não chegou no nível do UBS, que é negociado com prêmio de 10 por cento. Após três anos consecutivos de prejuízos, Thiam ainda não firmou um histórico de devolver dinheiro aos acionistas.

Os boatos de partida de Thiam foram prematuros, mas a vida dele não é nada fácil.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do comitê editorial ou da Bloomberg LP e seus proprietários.