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Maior poluidora da Europa escapa do aumento de preço do carbono

Rachel Morison e Mathew Carr

14/08/2018 12h06

(Bloomberg) -- Enquanto os negociantes de carbono observam a disparada do custo da poluição, a maior emissora de gases causadores do efeito estufa na Europa não sentirá o aperto nos próximos anos porque assegurou as autorizações antecipadamente a um terço da taxa de mercado.

Os preços do carbono mais que dobraram desde o início do ano e, nesta semana, superaram 18 euros (US$ 20,50) por tonelada, maior patamar em sete anos. A empresa de energia alemã RWE se isolou comprando o carbono de que necessita de 5 euros a 6 euros por tonelada até 2021.

A revelação surge juntamente com o balanço da RWE e mostra como as empresas podem usar os mercados financeiros para adiar mudanças mais caras na redução da poluição de suas instalações. A União Europeia criou seu mercado de carbono em 2005 para dar à indústria um sinal de preço indicando a rapidez com que precisam frear as emissões. Apesar de o mercado ter elevado o custo da poluição neste ano, algumas empresas tiraram proveito de estratégias de hedging.

A RWE é a maior produtora de carbono da Europa. As usinas que usam carvão e seu primo mais poluente, o linhito, respondem por cerca de dois terços da capacidade instalada da empresa na Alemanha. A compra de licenças de emissão é um importante fator de custo das usinas elétricas movidas a combustíveis fósseis. A triplicação do preço desde meados do ano passado deve encarecer as usinas de carvão e linhito.

No caso da RWE, isso só ocorrerá no início da próxima década. A empresa informou que fez hedging de sua exposição ao dióxido de carbono até 2022. Esse ano não foi incluído nos números de custo. No caso do antracito, a companhia fixou preços em até 6 euros, e em 7 euros para o linhito.

Os esforços da UE para remover licenças excedentes do mercado "deram a muitos emissores de dióxido de carbono uma razão para esperar um aumento nos preços dos certificados, o que as levou a comprar licenças de emissão no início", informou a RWE no balanço do primeiro semestre, divulgado nesta terça-feira. "Consequentemente, os preços das licenças da UE aumentaram significativamente apesar de o pacote de reformas ainda não ter sido implementado."

O mercado de carbono da UE é o maior do mundo e exige que as empresas de energia comprem licenças para cobrir suas emissões de combustíveis fósseis. O custo dessas autorizações caiu cerca de 80 por cento em uma década, para menos de 5 euros por tonelada, de 2012 a 2017. É metade do nível necessário para que as empresas tenham um incentivo para mudar.

A região limita as emissões do setor de energia, de algumas fábricas e dos voos das empresas aéreas. Demorou quase uma década para corrigir o mercado do excedente de licenças acumulado na última recessão.

O bloco finalmente concordou em remover uma parte das permissões a partir de 2019, o que consumirá o excedente acumulado. O preço dessas permissões mais que triplicou nos últimos 12 meses.

Repórteres da matéria original: Rachel Morison em Londres, rmorison@bloomberg.net;Mathew Carr em London, m.carr@bloomberg.net