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Brasil exorta oposição venezuelana a superar divergências

Samy Adghirni

17/08/2018 15h03

(Bloomberg) -- A oposição venezuelana precisa superar as divisões internas para enfrentar de forma mais efetiva o presidente Nicolás Maduro, disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil em entrevista.

"Para você ter mudança, você precisa ter uma alternativa", disse Aloysio Nunes Ferreira, em seu gabinete em Brasília, na quinta-feira. "Não quero dar lição aos outros, mas tenho dito aos meus amigos da oposição venezuelana que [a união em torno de um projeto comum] é fundamental porque transmite ao povo a confiança de que há uma alternativa e que o governo Maduro não é o fim da historia".

Nunes Ferreira relata ter dito ao secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, que visitou o Brasil nesta semana, que uma intervenção estrangeira na Venezuela só "jogaria gasolina no fogo" e aprofundaria a crise humanitária no país. "Mattis concordou", acrescentou o ministro.

Em meio ao colapso na Venezuela que gera fome, hiperinflação e emigração em massa, os líderes da oposição continuam divergindo em relação à estratégia para derrotar Maduro. Alguns defendem manter a pressão política rumo a uma transição democrática. Outros exigem medidas radicais para derrubar alguém que afirmam ser um ditador que não deixará o poder pacificamente. Enquanto a oposição briga, Maduro amplia a repressão aos seus inimigos internos, prática que se intensificou depois que ele sobreviveu a um ataque com drones, no começo deste mês.

A Venezuela poderia se inspirar no que aconteceu durante o regime militar brasileiro, que terminou em meados dos anos 1980, argumentou Nunes Ferreira. A oposição estava igualmente dividida e desamparada, afirmou o ministro. Mas, embora a pressão internacional tenha ajudado a constranger e a isolar a junta militar, a mudança só ocorreu quando os líderes opositores unificaram suas estratégias e criaram o MDB, partido que teve papel chave na redemocratização.

Nunes Ferreira disse que o Brasil manterá a ajuda aos refugiados venezuelanos que continuam chegando pela fronteira do estado de Roraima, apesar da crescente tensão gerada pelo fluxo de imigrantes. O chanceler acrescentou que espera conversar com o presidente que vencer a eleição de outubro para sensibilizá-lo sobre a importância de manter a assistência humanitária e a parceria do Brasil com a agência da ONU para refugiados.

--Com a colaboração de Gabriel Shinohara.