PUBLICIDADE
IPCA
+0,53 Jun.2021
Topo

BHP descarta reativação de mina brasileira antes de 2020

R.T. Watson

21/08/2018 17h19

(Bloomberg) -- Logo após fechar um acordo sobre o rompimento da barragem da Samarco, a coproprietária BHP Billiton está acabando com qualquer esperança de reativar a gigantesca mina de minério de ferro no próximo ano.

"Definitivamente, não será em 2019", disse Bryan Quinn, presidente de joint ventures da BHP Asset, em uma entrevista em São Paulo no início deste mês. "Ainda falta um bom tempo para que ela esteja completamente operacional."

A Samarco Mineração interrompeu a produção depois que o rompimento de uma barragem de rejeitos matou 19 pessoas e poluiu rios em dois estados. Em maio, a coproprietária Vale apresentou a melhor hipótese possível, em que as operações seriam retomadas no primeiro semestre de 2019. Analistas da Wood Mackenzie haviam previsto uma reativação em 2020.

O empreendimento, que já foi o segundo maior produtor mundial de pelotas de minério de ferro, calcula cerca de seis meses para preparar uma cava de mineração esgotado para armazenar resíduos antes de poder receber uma das autorizações necessárias. Os preparativos estão sendo adiados até que uma disputa jurídica de mais de dois anos com as autoridades seja resolvida.

A Vale afirmou que não é possível fornecer uma data de reativação, mas ambas as empresas estão trabalhando para que as operações sejam retomadas o mais rápido possível, de acordo com um comunicado de seu departamento de imprensa. A Samarco espera obter as licenças necessárias ao longo de 2019, segundo o departamento de imprensa dessa empresa.

A Samarco ainda não começou a construir um sistema de filtragem para a cava de rejeitos, o que levaria de seis a nove meses, disse Quinn: "Se você tentar começar com excessiva antecedência, sem a filtragem, a cava será usado rápido demais".

O empreendimento vem tentando aos poucos recuperar as licenças na tentativa de reabrir, enquanto está totalmente envolvido com a limpeza e as reparações. As duas proprietárias se recusaram a pagar os bilhões de dólares que a Samarco deve aos bancos e detentores de títulos.