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Odebrecht afeta maior grupo bancário da Colômbia

Matthew Bristow e Ezra Fieser

24/08/2018 14h54

(Bloomberg) -- A prolongada investigação na Colômbia sobre um esquema de propinas em todo o continente da gigante brasileira da construção Odebrecht está lançando sombra sobre o maior grupo bancário do país, propriedade de um dos homens mais ricos da América Latina.

O Grupo Aval Acciones y Valores e uma subsidiária viram suas ações caírem desde que a Odebrecht admitiu um dos maiores casos de corrupção da história corporativa, detonando escândalos em toda a América Latina. Uma das empresas do Aval, a Corficolombiana, foi parceira da Odebrecht em seu maior projeto na Colômbia: um trecho da rodovia de US$ 2,5 bilhões conhecida como Ruta del Sol. A Odebrecht pagou milhões em propinas para ganhar o contrato, mas o Aval afirmou várias vezes que não estava a par dos pagamentos ilegais.

Em dezembro de 2016, a Odebrecht disse que pagou US$ 788 milhões em propinas em 12 países, entre eles a Colômbia. A empresa chegou a acordos com governos latino-americanos, entre eles os da República Dominicana, do Peru e do Panamá. Mas a investigação da Colômbia se arrasta, preocupando os investidores.

"É possível que informações prejudiciais para nós e para os nossos interesses venham à tona no decurso das investigações por corrupção que estão sendo realizadas pelas autoridades colombianas", afirmou o Aval em documento nos EUA neste ano.

Ações em queda

A Aval, um conjunto de empresas financeiras, foi fundada por Luis Carlos Sarmiento, 85, cuja fortuna líquida estimada em US$ 12 bilhões faz dele a sétima pessoa mais rica da América Latina. Mas as ações da Aval, negociadas em Nova York e Bogotá, estão praticamente inalteradas desde que a Odebrecht divulgou as propinas. Enquanto isso, seu Banco de Bogotá e pares como o Banco Davivienda e o Bancolombia tiveram um aumento de dois dígitos. As ações da subsidiária Corficolombiana caíram 32 por cento.

Durante anos, a máquina de subornos da Odebrecht operou em toda a América Latina, distribuindo pagamentos a políticos e funcionários do governo que a ajudavam a ganhar contratos para construir usinas elétricas, estradas, aeroportos, represas e outras obras públicas. Muitas vezes criava empresas falsas de consultoria, construção e engenharia que cobravam por trabalhos que nunca foram feitos. O dinheiro canalizado através dessas companhias era destinado à corrupção.

Na Colômbia, uma investigação iniciada em 2016 revelou que a Odebrecht pagou pelo menos US$ 32,5 milhões em propinas para ganhar seis contratos do governo e por transações financeiras relacionadas de 2009 a 2014. A Ruta del Sol foi um dos maiores.

A diretora de relações com investidores do Aval, Tatiana Uribe, disse em comunicado à Bloomberg News que na época a empresa "não sabia que a Odebrecht era corrupta".

Repórteres da matéria original: Matthew Bristow em Bogotá, mbristow5@bloomberg.net;Ezra Fieser em República Dominicana, efieser@bloomberg.net