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Aluguel recorde em Londres atrai investidores estrangeiros

Sharon Smyth

31/08/2018 12h04

(Bloomberg) -- As dificuldades do Reino Unido para garantir um acordo favorável no Brexit podem estar causando uma dor de cabeça para a primeira-ministra Theresa May, mas também fazem com que o assolado mercado imobiliário londrino volte a ser atraente no exterior.

Proprietários estrangeiros detinham 12 por cento das residências alugadas na capital no fim do primeiro semestre, um aumento em relação aos 7 por cento do ano passado, segundo a Hamptons International, que mediu um subconjunto do mercado imobiliário londrino. A desvalorização da libra faz com que seja mais barato para os investidores estrangeiros comprar casas usando suas moedas e muitos foram atraídos pelo badalado mercado de aluguéis, que continua registrando níveis recorde.

"Eu tinha certeza de que os aluguéis cairiam porque muitas pessoas iriam embora do Reino Unido após a votação do Brexit -- na verdade, todos estavam esperando uma catástrofe", disse Agus Marcos Blanco, farmacêutico de 39 anos em Barcelona, que engavetou os planos de comprar um imóvel em Londres imediatamente após a votação de junho de 2016, na qual os britânicos decidiram abandonar a União Europeia. Agora, como os aluguéis permaneceram fortes, ele está procurando um imóvel para comprar como investimento e deixar alugado na capital do Reino Unido.

Esse não é um panorama totalmente otimista para os proprietários estrangeiros. De acordo com alguns indicadores, o crescimento do mercado de aluguéis arrefeceu ou até diminuiu. Segundo os últimos dados disponíveis do Office for National Statistics, os aluguéis na capital caíram 0,3 por cento em julho em relação ao ano anterior.

Ainda assim, o aumento do interesse estrangeiro é uma bênção para o mercado imobiliário de Londres, já que muitos compradores domésticos se afastaram por causa dos preços.

O desequilíbrio entre oferta e demanda em Londres elevou a média dos aluguéis para 1.615 libras (US$ 2.100) por mês, de acordo com a Homelet, maior empresa de referência de inquilinos do Reino Unido. Este é o maior valor desde que os dados passaram a ser coletados, em 2011 e está 72 por cento acima da média nacional de 937 libras por mês.

Juan Guerrero, diretor de operações de câmbio da Banca March em Madri, estima que a libra chegaria a se recuperar até 15 por cento em relação ao euro se o Reino Unido negociar um bom acordo de divórcio com a UE. Uma residência que vale a média de Londres, de 483.000 libras, para um comprador europeu custa 537.500 euros à taxa de câmbio atual e valeria cerca de 70.000 euros a mais depois de uma recuperação.

E, embora a libra tenha se recuperado nos últimos dias devido à diminuição da perspectiva de um Brexit sem acordo, algumas projeções mostram que a moeda do Reino Unido cairá em relação ao euro para níveis vistos pela última vez em 2009. Isso significaria que os retornos de aluguel valeriam menos quando reconvertidos para a moeda de um proprietário estrangeiro.

Marcos Blanco, que ofereceu uma quantia não revelada por um apartamento de dois quartos em Bow, no leste de Londres, não se abala com a perspectiva de uma nova queda da libra. "Acho que todas as notícias negativas já foram levadas em conta e o único caminho possível é para cima", disse ele. "O tempo dirá."