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Após Turquia e Argentina, Brasil pode ser próximo emergente a cair, diz UBS

Vinícius Andrade

31/08/2018 13h27Atualizada em 31/08/2018 15h38

O custo de não combater suas fragilidades fiscais pode estar aumentando para a maior economia da América Latina. O Brasil já tem muita incerteza em relação ao avanço da agenda fiscal antes da eleição presidencial em outubro. Agora, o ambiente externo está exacerbando a situação por conta das preocupações sobre o comércio global e após a forte debandada de ativos emergentes.

Os investidores estão desfazendo as suas posições no peso argentino e na lira turca nesta semana, o que provocou temores de contágio global --que já se tornaram realidade no Brasil, onde o dólar atingiu um de seus maiores níveis em 30 de agosto.

"O Brasil, sem reformas, pode ser a próxima vítima", disse o estrategista do UBS Wealth Management, Ronaldo Patah, em entrevista em 30 de agosto em São Paulo.

"O que está acontecendo na Argentina, na Turquia, é uma bela amostra de que estrangeiro não tem mais tanto apetite a risco. Para quem não faz a lição de casa, a penalidade é muito dura."

Desde a crise de 2008, a liquidez tem sido abundante e as crises de mercados emergentes são breves. Mas os próximos quatro anos serão muito mais difíceis do que a última década, disse Patah. O estrategista não acredita que um candidato antirreformista será eleito e vê as reformas fiscais como ainda mais necessárias.

"Se você não faz reformas, o seu 'downside' é muito grande. Se você aponta para a direção certa, você tem potencial de muita captação de investimento", disse ele. "Você pode continuar tendo investimento estrangeiro, atraindo fluxo, mas margem de manobra diminuiu. Se você não faz, 'downside' aumentou bastante. Fazer reformas hoje está mais crucial do que já era."