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Walmart dobrará gasto em recrutamento de caminhoneiros nos EUA

Matthew Boyle

10/09/2018 15h53

(Bloomberg) -- O Walmart, pressionado pela crescente escassez de caminhoneiros nos EUA, planeja dobrar seus investimentos em atrair e reter motoristas até o final do ano.

O varejista, cuja frota privada de 6.500 caminhões é uma das maiores do país, oferecerá bônus de referência de até US$ 1.500, encurtará o processo de novas contratações em mais de um mês e transmitirá seu primeiro anúncio nacional de TV focado em seus 7.500 caminhoneiros. A meta do programa, que coincide com a Semana Nacional de Apreciação de Motoristas de Caminhão, que começa nesta segunda-feira nos EUA, é preencher vagas e melhorar a imagem de dirigir longas distâncias como uma carreira diante do aperto no mercado de trabalho desse país.

"Sinceramente, eu poderia contratar algumas centenas de motoristas agora", disse Tracy Rosser, vice-presidente sênior de transporte do Walmart, em entrevista. "Está ficando cada vez mais difícil encontrar motoristas qualificados. A situação está realmente séria agora."

A escassez de motoristas cresceu para o recorde de 296.311 no segundo trimestre, de acordo com a empresa de pesquisa FTR Transportation Intelligence. Somando-a aos aumentos dos salários, dos preços do diesel e da demanda por frete, o resultado foi que em junho houve o maior aumento mensal nos custos de transporte de longa distância em quase uma década. Essas despesas reduziram as margens de lucro do Walmart por três trimestres consecutivos, uma razão pela qual as ações da companhia caíram no ano até agora em meio a ganhos mais amplos no mercado de ações.

Atualmente, os caminhoneiros do Walmart retiram mercadorias de grandes centros de distribuição em todo o país e os entregam às 4.700 lojas da empresa nos EUA em uma rede do tipo "hub-and-spoke", que possibilita reabastecer rapidamente as mercadorias.

Aumento da rotatividade

O Walmart só conta com motoristas experientes - com pelo menos 30 meses de experiência nos últimos três anos - e os novos contratados podem ganhar cerca de US$ 86.000 por ano, com até 21 dias de férias remuneradas. Por isso, disse Rosser, a taxa de rotatividade de motoristas permaneceu em apenas 7 por cento historicamente. O valor se compara a uma taxa de rotatividade que gira em torno de 90 por cento para os caminhoneiros de longa distância, sendo que mais de um terço dos recém-contratados vão embora depois de três meses, segundo a American Trucking Associations e a consultora de retenção de motoristas Stay Metrics.

No entanto, a taxa de rotatividade do Walmart aumentou ligeiramente nos últimos meses, disse Rosser, devido à disputa acirrada por motoristas. Algumas transportadoras aumentaram os salários em até três vezes durante os últimos 12 meses e estão distribuindo bônus de contratação de até US$ 10.000. A idade média de um motorista do Walmart é de 55 anos, portanto a empresa também está perdendo muitos deles para a aposentadoria. Durante a próxima década, o setor de caminhões dos EUA precisará contratar cerca de 898.000 novos motoristas, o que equivale a uma média de quase 90.000 por ano.

"Dirigir caminhão não é apenas um trabalho, é um estilo de vida - mas não funciona para todo mundo", disse Gary Mars, um veterano com 15 anos na frota do Walmart. "Honestamente, ninguém mais quer dirigir caminhão. Mas a gente precisa deles. Sem caminhões, o país para."

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