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Ações da Comcast caem após oferta de US$ 39 bilhões pela Sky

Gerry Smith e Anousha Sakoui

24/09/2018 10h26

(Bloomberg) -- Desde que a ascensão meteórica da Netflix deu início à revolução da TV on-line, os executivos de mídia vêm debatendo como reagir.

É melhor ter a propriedade de programas populares ou dos canais que distribuem os programas a milhões de lares? É preferível se concentrar no mercado de TV dos EUA, que é lucrativo, mas está diminuindo, ou buscar expansão no exterior?

A resposta, segundo o CEO da Comcast, Brian Roberts, é fazer as duas coisas. No sábado, sua empresa ofereceu cerca de US$ 40 bilhões pela Sky em uma oferta que superou a da pretendente rival 21st Century Fox em um leilão pela gigante da TV europeia. As ações da Comcast caíram no começo desta segunda-feira em sinal de ceticismo em relação à decisão.

Como vencedora da acirrada guerra de lances, a Comcast vai quase dobrar seu número de clientes. A aquisição também ajudaria a Comcast a proteger suas apostas em um negócio que muda rapidamente, tendo como premissa que o segredo para competir contra a Netflix é estar nos dois lados do negócio e nos dois lados do Oceano Atlântico.

É uma aposta dispendiosa que talvez não consiga convencer os investidores. As ações da Comcast já caíram neste ano, afetadas por um acordo fracassado por adquirir ativos de entretenimento da Fox e agora por uma campanha aparentemente bem-sucedida para adquirir a Sky.

As ações da Comcast caíram 5,9 por cento antes da abertura do mercado, para US$ 35,68 até às 7h22, horário de Nova York. As notas da companhia denominadas em libra e com vencimento em novembro de 2029 caíram 1,4 pence por libra, para 123 pence, a maior queda desde maio e o nível mais baixo desde março de 2016.

"Esta aquisição nos permitirá aumentar de forma rápida, eficiente e significativa nossa base de clientes", disse Roberts, 59, em comunicado. Sem nenhum obstáculo antimonopólio pela frente, ele pretende concluir a aquisição da Sky até o final do próximo mês.

Mas a vitória de Roberts é um pouco sombria. A Fox poderia se recusar a oferecer os 39 por cento da Sky que possui atualmente. Desse modo, a Comcast teria que compartilhar a companhia com a Fox, que deve se tornar parte da Walt Disney no ano que vem.

Compra cara

A dívida que a Comcast contrairá para concluir o negócio não é uma preocupação, mas o preço preocupa, disse Craig Moffett, analista da MoffettNathanson. A guerra de lances entre a Disney e a Comcast elevou a avaliação da Sky de oito vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização para 15 vezes, disse ele.

"Vai ser extremamente difícil justificar ter pago um preço tão alto", disse Moffett, no domingo. "Este é um ativo que nem os investidores da Disney nem os da Comcast queriam conquistar."

Desde que assumiu a NBCUniversal há sete anos, a Comcast passou a ser proprietária tanto do conteúdo quanto da distribuição. Isso ajudou a reduzir o risco. Embora a empresa tenha sido prejudicada pelo fato de que milhares de clientes trocaram as assinaturas de TV a cabo pelos serviços de streaming, muitos dos que se converteram à Netflix continuam precisando da conexão de internet oferecida pela Comcast. E a NBC, da Comcast, gera taxas lucrativas com a venda de episódios de programas antigos para Netflix, Hulu e outros.

--Com a colaboração de Christopher Palmeri, Matthew Townsend e Katie Linsell.

Repórteres da matéria original: Gerry Smith em N York, gsmith233@bloomberg.net;Anousha Sakoui em Los Angeles, asakoui@bloomberg.net