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Pessimismo dos gestores de fundos nos EUA bate recorde

Luke Kawa

16/10/2018 15h16

(Bloomberg) -- O pessimismo em relação à economia global vem aumentando diante da escalada da tensão comercial e da continuidade do aperto monetário nos EUA apesar do tumulto nos mercados acionários.

Gestores de fundos sondados pelo Bank of America Merrill Lynch neste mês vêm acumulando dinheiro e aplicações de alta liquidez porque seu nível de pessimismo em relação à atividade global é o maior em uma década. A parcela de gestores de fundos afirmando que a economia global está no estágio final é a maior em registro, em 85 por cento ? 11 pontos percentuais acima do recorde anterior, atingido em dezembro de 2007.

"Os investidores estão pessimistas com o crescimento global", escreveu o estrategista-chefe de investimentos Michael Hartnett.

A parcela líquida de investidores esperando desaceleração do crescimento nos próximos 12 meses chegou a 38 por cento - o maior desânimo desde novembro de 2008. A expectativa para os lucros das empresas ao redor do mundo também é de deterioração.

Posições compradas em ações das FAANG (quinteto formado por Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Alphabet, a controladora do Google) ? e das BAT (trio chinês formado por Baidu, Alibaba e Tencent) foram consideradas as mais concentradas pelo nono mês consecutivo. A sondagem foi realizada entre os dias 5 e 11 de outubro, período em que as bolsas dos EUA caíram mais de 5 por cento, derrubadas por muitas dessas ações.

Participantes da pesquisa revelaram que estão comprando ações de empresas de energia e matérias-primas e se livrando de papéis de companhias cíclicas e de rápido crescimento em outubro, de modo que a alocação maior em tecnologia diminuiu 6 pontos percentuais. A alocação em dinheiro e instrumentos de alta liquidez se manteve elevada, em 5,1 por cento.

Desta vez, o banco central americano (Federal Reserve) não está interferindo para acalmar os investidores ? muito pelo contrário. A parcela de gestores de fundos afirmando que o aperto quantitativo é o maior risco extremo para os mercados mais que dobrou para 31 por cento, embora a guerra comercial ainda seja a maior preocupação.

O aperto pelo Fed está "causando redução das esperanças nos EUA", escreveu Hartnett, que recomenda aproveitar uma eventual disparada das bolsas neste quarto trimestre para vender. A grande maioria dos sondados pelo Bank of America acredita que o S&P 500 precisaria recuar para, no mínimo, 2.500 pontos para convencer o banco central a suspender altas na taxa básica de juros. Isso significa queda adicional de 9 por cento.

Uma virada na composição do Congresso americano na eleição de novembro ? com o Partido Democrata formando maioria no Senado e na Câmara de Deputados ? é considerada negativa para o S&P 500 por 59 por cento dos entrevistados.

A ideia dos EUA em primeiro lugar também caiu em desuso. O Japão substituiu os EUA como região preferida dos investidores de renda variável, embora a expectativa deles seja de lucros superiores para as empresas americanas.