Alternativa a opioides da Pfizer e da Lilly mostra potencial
(Bloomberg) -- Um medicamento experimental da Pfizer e da Eli Lilly & Co. aliviou a dor da artrite em pacientes de difícil tratamento sem causar grandes preocupações com a segurança, um passo fundamental na criação de uma nova classe de medicamentos que algum dia pode ser uma alternativa aos narcóticos.
Esta é uma reviravolta rara para um teste que foi interrompido duas vezes devido a sérios efeitos colaterais. No estudo, uma complicação de dano articular monitorada com atenção apresentou níveis de ocorrência mais baixos do que o esperado, especialmente em pacientes que receberam uma dose maior da injeção.
Mais dados serão necessários para tornar o analgésico uma opção viável para substituir os opioides, em parte porque o problema -- osteoartrite de progressão rápida -- ainda afetou cerca de um em cada 100 pacientes. O estudo, apresentado na reunião do American College of Rheumatology em Chicago, é o primeiro de seis testes essenciais projetados para avaliar a segurança e a eficácia do tratamento, a tanezumab.
A droga faz parte de uma classe de medicamentos conhecida como inibidores do fator de crescimento nervoso, que, acredita-se, funcionam impedindo que os sinais de dor desencadeados por uma lesão atinjam os receptores no cérebro. A Regeneron Pharmaceuticals e a Teva Pharmaceutical Industries estão desenvolvendo medicamentos similares, em um mercado potencial que pode gerar de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões em vendas anuais, com base em estimativas do Goldman Sachs.
"Os resultados demonstrados pela tanezumab neste estudo são particularmente significativos porque os pacientes tinham dor moderada a grave e não conseguiam um alívio adequado da dor com outras opções de tratamento, como opioides e anti-inflamatórios não-esteroides", que incluem drogas como o ibuprofeno, disse Ken Verburg, líder do desenvolvimento da droga na Pfizer.
Pouco progresso
Houve poucos avanços no tratamento da dor nos últimos anos e a indústria farmacêutica está buscando alternativas não viciantes aos narcóticos, em um momento em que uma epidemia de opioides continua varrendo os EUA.
A osteoartrite de progressão rápida em alguns pacientes foi a razão pela qual a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos interrompeu o estudo da tanezumab em 2010. Ele foi suspenso pela segunda vez em 2012, juntamente com estudos similares, por uma razão não relacionada e reiniciado novamente em 2015.
No estudo com 696 pacientes apresentado na terça-feira, a complicação ocorreu em 1,3 por cento dos pacientes que receberam a injeção. Essa porcentagem é menor do que a taxa considerada aceitável pelos analistas do Goldman Sachs para obter a aprovação do medicamento, embora nenhum dos que receberam placebo tenha sofrido efeito colateral.
Os pacientes que receberam a tanezumab tiveram um alívio da dor e uma melhoria da função física significativamente maiores do que quem recebeu placebo, segundo três medidas diferentes. Após quatro meses, 57 por cento dos pacientes que receberam a dose mais alta tiveram seus níveis de dor reduzidos pela metade, em comparação com 55 por cento daqueles que receberam uma dose um pouco menor e 38 por cento daqueles que receberam placebo.
A Pfizer e a Lilly também estão testando a injeção em alguns dos tipos de dor mais incômodos, inclusive em pacientes com dor crônica nas costas e com dor cancerosa causada por metástases nos ossos, dois grupos que atualmente dependem muito de narcóticos.
--Com a colaboração de Cristin Flanagan.
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