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Últimos são os primeiros nos mercados globais neste fim de ano

Adam Haigh e Cormac Mullen

19/11/2018 16h03

(Bloomberg) -- Tendências observadas nos mercados financeiros durante boa parte do ano se reverteram no último trimestre, desafiando as ideias dos investidores sobre a economia global.

No mercado acionário, as bolsas dos EUA se sobressaíram, mas agora estão atrás das ações de países emergentes, que, por sua vez, foram as grandes perdedoras do segundo e terceiro trimestres. No câmbio, o dólar australiano e o dólar neozelandês estiveram entre as três moedas do G10 de pior desempenho entre janeiro e setembro, mas se tornaram as melhores. Na renda fixa, os títulos da Indonésia, que já apanharam feio, estão nas alturas.

O debate agora é se o padrão recente é uma exceção ou o início de um ajuste mais consistente. Pergunta-se se o setor de tecnologia, que impulsionou os ganhos nos EUA, está entrando em substancial desaceleração; se os rendimentos dos títulos dos EUA continuarão subindo, o que tende a impulsionar o dólar e as ações do setor financeiro; e como a China se saíra diante do desaquecimento econômico e da guerra comercial contra os EUA.

Para estrategistas do Citigroup, a recente desvantagem das bolsas dos EUA em relação às dos países emergentes passará e as americanas voltarão à dianteira. O Goldman Sachs Group espera que o dólar australiano continue se apreciando em relação ao euro.

Estas são algumas das tendências em transformação nos mercados:

Ações de países emergentes

O MSCI Emerging Markets Index subiu 3,3 por cento neste mês e tem mais de 2 pontos percentuais de vantagem sobre o S&P 500 e o MSCI World Index (que acompanha ações de países desenvolvidos). No entanto, o índice de nações em desenvolvimento chegou a ter 17 pontos de desvantagem em 2018.

Perdedores de sempre

A última década foi sofrida para estratégias voltadas para ações de valor, mas isso começa a mudar com o tombo das ações de empresas de rápido crescimento. Com a derrapada do bloco FAANG (Facebook, Apple, Amazon.com, Netflix e Google), o índice que acompanha ações de valor nos EUA está 2 pontos à frente dos papéis de crescimento desde o início de outubro.

Petróleo em queda

O petróleo foi um dos ativos de melhor desempenho antes do último trimestre deste ano. Com a intensificação das preocupações com a oferta exagerada por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e sinais de enfraquecimento da demanda, o barril amargou seis semanas consecutivas de perdas.

Desastre no setor de tecnologia

As ações que puxaram os ganhos de longo prazo nas bolsas dos EUA estão levando uma surra. O papel da Apple, maior empresa do mundo, caiu 18 por cento desde o pico atingido no começo de outubro. O valor de mercado do Facebook diminuiu em um terço desde o recorde alcançado em julho.Dores da China

As bolsas chinesas tentam se recuperar da tendência negativa que marcou o ano. Pela primeira vez em mais de um mês, o Shanghai Composite fechou acima da média móvel de 50 dias e está perto de romper uma resistência técnica observada desde janeiro. Embora a retórica entre EUA e China continue tensa, alguns investidores começam a achar que a disputa comercial já está embutida nas cotações dos ativos.

Reinado do dólar

Uma tendência crucial para diversas estratégias é a direção do dólar, a moeda de reserva do mundo inteiro. Após a consistente depreciação na maior parte de 2017, o dólar se recuperou até o segundo semestre deste ano, tumultuando diversos mercados ? de commodities a ações de países emergentes. No momento, fundos de hedge estão convencidos de que essa alta vai se sustentar. O saldo líquido de apostas compradas de especuladores no dólar está no maior patamar desde o começo de 2017.

Repórteres da matéria original: Adam Haigh em Sydney, ahaigh1@bloomberg.net;Cormac Mullen em Tóquio, cmullen9@bloomberg.net