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Jack Ma quer desbancar Black Friday: Bloomberg Opinion

Shuli Ren

22/11/2018 15h51

(Bloomberg) -- Fique de olho: o Dia de Solteiros de Jack Ma vai fazer a Black Friday parecer muito menos atraente.

Há um nervosismo no ar nesta temporada de fim de ano. Em poucos dias de negociações brutais, o mercado de ações dos EUA eliminou os ganhos de todo o ano de 2018. Enquanto isso, a economia americana caminha para o 10º ano de expansão, de longe a sequência mais longa da história. Com a escalada da guerra comercial global, quanto pode durar essa prosperidade?

Em épocas de incerteza, o consumidor não quer gastar muito. Os comerciantes que chegarem primeiro nesse pote de ouro cada vez menor terão mais chances de ficar no azul.

O comércio dos EUA já está se preparando para as vendas do Dia dos Solteiros, um conceito de terapia de compras inventado por Ma, o fundador da Alibaba, para consolar as almas solitárias da China em 11/11. O evento sempre cai antes do feriado de Ação de Graças, na quarta quinta-feira de novembro.

Não estou falando das lojas de descontos que fazem sucesso entre os consumidores da plataforma Taobao, do próprio Ma. Um exemplo: a Aloyoga, que tem sede em Santa Bárbara, na Califórnia, e vende calças de ioga de alta qualidade por mais de US$ 100, já havia oferecido um desconto de 30 por cento para o Dia dos Solteiros. Por isso, no Dia de Ação de Graças, eu já não estou interessada nas ofertas da Lululemon Athletica -- meu desejo por compras para o ioga já foi saciado. (A Aloyoga está oferecendo o mesmo desconto de 30 por cento na Black Friday).

Outro exemplo é a Shopbop, uma plataforma de vestuário online pertencente à Amazon. Para o Dia dos Solteiros, ela estava oferecendo 15 por cento de desconto em todo o website; dessa forma, o desconto de 15 por cento da Black Friday para pedidos acima de US$ 200 parece menos atraente.

É verdade que a Black Friday ainda oferece ótimas promoções. Pouco antes de começar a escrever esse texto, fiz um pedido de óleos essenciais na Rocky Mountain Oils -- com desconto de 30 por cento. Agora, planejo dar uma olhada no website da J.Crew -- que oferece descontos de 40 por cento. Ainda assim, a disputa para ver quem chega primeiro à carteira do consumidor está esquentando: dias atrás, as empresas de varejo estavam enviando e-mails com os descontos planejados.

A Black Friday é um divertido evento de compras quase tão arraigado na tradição do Dia de Ação de Graças dos EUA quanto o peru. Mas neste momento em que os consumidores estão passando a comprar pela internet, as ofertas são mais importantes que a tradição.

Os millennials, em particular, são atentos aos valores. Segundo uma pesquisa recente do Bank of America Merrill Lynch, mais de três quartos dos consumidores desta faixa etária afirmam que aproveitariam descontos na Black Friday ou na Cyber Monday, mais do que qualquer outra geração.

O Dia do Solteiros claramente ainda não pegou nos EUA. No estudo do BAML, 61 por cento dos entrevistados disseram que até 19 de novembro não haviam começado as compras de fim de ano. Mas devido à propagação dos descontos, e ao fato de comércio usar qualquer "evento" como gancho para antecipar os descontos, isso é só questão de tempo.

As marcas chinesas têm tido tanto sucesso internacional quanto o soft power chinês, o que não é muito. Jack Ma, por outro lado, percebeu uma coisa: não importa se é Black Friday ou Dia dos Solteiros, tudo que queremos é fazer bons negócios.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial nem da Bloomberg LP e de seus proprietários.