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China aposta em rival do GPS operado pelos EUA

Bloomberg News

26/11/2018 11h54

(Bloomberg) -- A China está levando a rivalidade com os EUA ao espaço, investindo pelo menos US$ 9 bilhões para construir um sistema de navegação celeste e eliminar a dependência em relação ao GPS, que é propriedade americana, em meio à tensão maior entre os dois países.

Os dados de localização emitidos pelos satélites do GPS são usados por smartphones, sistemas de navegação de carros, microchips colocados no pescoço de cães e mísseis guiados -- e todos esses satélites são controlados pela Força Aérea dos EUA. Isso incomoda o governo chinês, que por esse motivo está desenvolvendo uma alternativa que, segundo um analista de segurança dos EUA, é um dos maiores programas espaciais já realizados pelo país.

"Eles não querem depender do GPS dos EUA", disse Marshall Kaplan, professor do departamento de Engenharia Aeroespacial da Universidade de Maryland. "Os chineses não querem se sujeitar a algo que podemos desativar."

O Sistema de Navegação Beidou, que atualmente atende a China e países vizinhos, estará acessível em todo o mundo a partir de 2020 como parte da estratégia do presidente Xi Jinping de transformar seu país em líder global em tecnologias de última geração. Sua implementação tem reflexos no mundo corporativo, porque fabricantes de semicondutores, veículos elétricos e aviões estão modificando produtos para que também se conectem ao Beidou com o objetivo de continuar fazendo negócios com a segunda maior economia mundial.

A montagem da nova constelação se aproxima da massa crítica após o lançamento de pelo menos 18 satélites neste ano, incluindo três neste mês. Em 19 de novembro, a China lançou mais dois equipamentos do Beidou, aumentando o total em operação para mais de 40. A China planeja adicionar mais 11 até 2020.

O Beidou faz parte da ambiciosa campanha chinesa para desbancar o domínio ocidental no setor aeroespacial. Uma empresa estatal está desenvolvendo aviões para substituir os da Airbus e da Boeing, e startups domésticas estão construindo foguetes para desafiar as empresas de lançamentos comerciais Space Exploration Technologies, de Elon Musk, e Blue Origin, de Jeff Bezos.

No mês que vem a China deverá lançar a Chang'e 4, uma sonda lunar que seria o primeiro veículo espacial com destino ao outro lado da Lua. Há também uma sonda e um rover para Marte programados para decolar em 2020.

"Isto é uma clássica corrida espacial", disse Andrew Dempster, diretor do Centro Australiano de Pesquisa em Engenharia Espacial, em Canberra.

A China começou a desenvolver o Beidou na década de 1990 e investirá um total estimado em US$ 8,98 bilhões a US$ 10,6 bilhões no projeto até 2020, segundo análise de 2017 da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China. O sistema futuramente oferecerá uma precisão de posicionamento de 1 metro ou menos com o uso de um sistema de suporte em solo.

Para efeito de comparação, o GPS normalmente oferece precisão de menos de 2,2 metros, que pode ser melhorada em alguns centímetros com sistemas de aumento, segundo a comissão.

"O sistema Beidou se transformou em uma das grandes conquistas dos 40 anos de reforma da China", disse Xi, em carta de 5 de novembro a um comitê das Nações Unidas sobre navegação por satélite.

--Com a colaboração de Ma Jie, Sam Kim e Ian King.

To contact Bloomberg News staff for this story: Bruce Einhorn em Hong Kong, beinhorn1@bloomberg.net;Dong Lyu em Pequim, dlyu3@bloomberg.net