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Mina de carvão polêmica está mais perto do início da construção

James Thornhill

18/12/2018 15h05

(Bloomberg) -- O projeto de carvão mais polêmico do mundo está se aproximando da fase de desenvolvimento, o que pode liberar uma das maiores reservas inexploradas em meio a um debate acirrado a respeito do futuro do combustível.

A mina Carmichael, do bilionário indiano Gautam Adani, está localizada na enorme Bacia da Galileia, na Austrália, que abrange cerca de 250.000 quilômetros quadrados -- aproximadamente o tamanho do Reino Unido. Se for desenvolvida em sua totalidade, a região pode mais do que dobrar as exportações de carvão térmico da Austrália, segundo estimativas do governo.

A Adani Group, que autofinanciará o projeto após desistências de possíveis credores, também construirá a infraestrutura, incluindo uma linha ferroviária fundamental para o transporte do carvão até a costa para exportação. A Agência Internacional de Energia afirma que o sucesso da mina determinará o destino de outros grandes projetos na Galileia, incluindo o Alpha Coal, da empresa indiana GVK Group com a bilionária australiana Gina Rinehart.

A Austrália já é a segunda maior exportadora de carvão para produção de energia do mundo, contribuindo com mais de 200 milhões de toneladas por ano para o comércio marítimo internacional. Se sair do papel, a mina Carmichael -- e sua ferrovia -- será construída após quase uma década de oposição conjunta de grupos ambientalistas.

"Com a Carmichael, Adani pode estimular a abertura da fronteira da Bacia da Galileia, na região central de Queensland, e outras grandes minas de carvão devem surgir", disse Gavin Wendt, diretor da empresa de pesquisa Minelife. "Não acredito que esses projetos cheguem ao mercado sem o peso que Adani ofereceria em termos de implantação da infraestrutura."

A Agência Internacional de Energia afirma que a mina Carmichael "é provavelmente o projeto de carvão mais controverso hoje em desenvolvimento" e apresenta o maior avanço entre as várias minas de grande porte que estão sendo planejadas.

O custo de capital do projeto foi reduzido para 2 bilhões de dólares australianos (US$ 1,4 bilhão) após o plano original de construir uma megamina de 16 bilhões de dólares australianos e a Carmichael terá uma meta de produção de 27,5 milhões de toneladas por ano, segundo a empresa responsável. A construção de projetos de escala similar normalmente leva cerca de dois anos depois de iniciados os trabalhos.

Os preços do carvão térmico mais do que dobraram desde 2016, impulsionados pela forte demanda das geradoras de energia na Ásia. A escassez de novos recursos autorizados indica que os preços continuarão elevados nos próximos anos, o que aumenta a determinação de Adani de avançar na Galileia.

"Será necessária uma oferta nova entre o início e meados da próxima década para compensar o esgotamento", disseram analistas do UBS Group em sua perspectiva global para as commodities de 2019. "As cadeias de exportação de carvão apresentam a maior vulnerabilidade a choques em muitos anos, portanto os preços deverão ser negociados em um patamar mais alto."

No cenário global, a pressão para reduzir o uso de carvão na geração de energia está crescendo. Um relatório de outubro apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) defendeu a eliminação gradual da energia gerada por carvão até 2050 para evitar os danos catastróficos causados pelas mudanças climáticas.