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Cortes sauditas e canadenses deixam mundo com sede de petróleo

Robert Tuttle e Sheela Tobben

14/01/2019 14h18

(Bloomberg) -- Os cortes de produção na província canadense de Alberta e na Arábia Saudita, ambas ricas em petróleo, estão deixando as refinarias de petróleo pesado, do Golfo do México à Ásia, em situação difícil.

Enquanto as reduções na província canadense elevaram os preços locais ao maior patamar em quase uma década, outras qualidades, como o Arab Heavy e o Heavy Louisiana Sweet, também estão subindo. Os sauditas deverão se concentrar principalmente em reduzir a produção de petróleo pesado como líderes dos esforços para reequilibrar o mercado global.

"Historicamente, quando os sauditas reduziram a produção, foi de petróleo pesado e médio", disse John Auers, vice-presidente executivo da consultoria de energia Turner Mason em Dallas.

Com isso, o tipo de petróleo que responde por mais de 10 por cento da oferta mundial das refinarias, já escasso devido ao colapso da Venezuela, provavelmente ficará ainda mais difícil de encontrar. Mais da metade do petróleo pesado do mundo é processada nos EUA.

No Canadá, os preços do petróleo pesado estão subindo desde o mês passado, quando a premiê de Alberta, Rachel Notley, impôs um corte de produção de 325.000 barris por dia a partir de janeiro para aliviar a crise nos oleodutos. O Western Canadian Select era negociado com desconto de apenas US$ 6,95 em relação ao petróleo leve West Texas Intermediate na sexta-feira, a menor diferença em quase uma década, insuficiente para cobrir o custo do transporte por ferrovia ou da maior parte dos carregamentos enviados por oleodutos para a Costa do Golfo dos EUA. A diferença chegava a US$ 50 em outubro.

Enquanto isso, a Arábia Saudita, a maior produtora da Opep, reduziu suas exportações de petróleo em quase 500.000 barris por dia em dezembro, e os volumes deverão cair ainda mais neste mês devido a um acordo da Opep com seus aliados para reduzir a produção em 1,2 milhão de barris por dia após o colapso dos preços do petróleo no fim do ano passado.

Na Venezuela, outra produtora de petróleo pesado, as exportações atingiram o menor patamar em 28 anos em 2018 em meio aos conflitos políticos e ao colapso econômico que atingiram a indústria mais importante do país.

"A tendência geral que estamos vendo é que há um mercado curto para o petróleo pesado", disse Kurt Barrow, vice-presidente dos mercados de petróleo, energia midstream e downstream da IHS Markit.

O Heavy Louisiana Sweet, que normalmente é negociado com desconto em relação ao Light Louisiana Sweet, era negociado com ágio de 45 centavos de dólar na sexta-feira, maior diferença positiva desde março. A Arábia Saudita definiu o preço oficial de venda do Arab Heavy para fevereiro para os EUA com ágio de 50 centavos de dólar em relação ao Argus Sour Crude Index, o primeiro ágio em pelo menos 10 anos.

Se os sauditas de fato reduzirem a principalmente a produção de petróleo pesado e médio, o mercado asiático, que normalmente compra esses tipos de petróleo do reino, será o mais atingido. Isso pode ampliar o diferencial Dubai-WTI e criar arbitragem para o envio de petróleos do Golfo do México para a Ásia. O diferencial entre WTI e Dubai "nos diz se os EUA estão competindo na Ásia no momento", segundo Sandy Fielden, diretor de pesquisa do grupo de commodities da Morningstar em Austin.

Repórteres da matéria original: Robert Tuttle em Calgary, rtuttle@bloomberg.net;Sheela Tobben em N York, vtobben@bloomberg.net