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Demanda recorde da China por commodities pode se estabilizar

Bloomberg News

14/01/2019 12h28

(Bloomberg) -- O maior consumidor de matérias-primas do mundo importou quantidades recorde de uma série de commodities em 2018, como cobre, petróleo bruto e gás natural. Mas, como as tensões comerciais com os EUA agravam a desaceleração da economia, os produtores agora se perguntam se a demanda atingiu o pico.

As compras de alguns produtos já estão mostrando sinais de deslize, sendo que as importações de minério de ferro e soja caíram em relação ao ano anterior pela primeira vez em quase uma década. A compra de cobre desacelerou no final do ano, e as remessas de carvão importado caíram para o menor patamar em sete anos. Outros produtos de energia continuam sendo um ponto positivo, e as importações de gás e petróleo atingiram recordes históricos em dezembro.

A China e os EUA estão há quase um ano em um conflito comercial que levou os dois governos a impor tarifas retaliatórias sobre tudo, do aço ao gás natural. O vice-premiê chinês, Liu He, deve visitar os EUA para a próxima rodada de negociações no final de janeiro, e negociadores de ambos os países expressaram otimismo após o encerramento de conversas de nível intermediário em Pequim na semana passada.

A forte queda do comércio chinês no mês passado atingiu as ações asiáticas e as moedas de commodities, como o dólar australiano, assim como os preços dos metais e do petróleo, e os números da balança desta segunda-feira ressaltaram os efeitos da guerra comercial e da desaceleração econômica na segunda maior economia do mundo.

"Os números do comércio de dezembro estão abalando os mercados de commodities, já que esses dados mostram o quanto a guerra comercial está tendo um impacto negativo na economia chinesa e talvez até na economia global", disse Stephen Innes, diretor de comércio da região Ásia-Pacífico na Oanda, em Cingapura.

Os dados de remessas também estão pintando um quadro sombrio para a demanda de commodities da China, de acordo com Fotis Giannakoulis, analista do Morgan Stanley. Quase todos os setores de transporte marítimo viram as taxas de afretamento baixarem nas últimas seis semanas, o que gera preocupações com a saúde da demanda subjacente.

"Embora tais movimentos sejam comuns, o declínio sincronizado pode ser um alerta para a demanda chinesa por commodities, com exceção do comércio de GNL, que é impulsionado pela política do governo", disse Giannakoulis em nota de pesquisa na segunda-feira.

Soja

De todas as principais commodities, a soja talvez tenha tido o pior desempenho por causa das tensões comerciais. As importações chinesas caíram 7,9 por cento no ano passado, para 88 milhões de toneladas, a primeira queda desde 2011. As processadoras estão evitando a soja dos EUA porque a China mantém sua tarifa retaliatória de 25 por cento sobre as importações americanas, que normalmente são a maior fornecedora no quarto trimestre. As compras de dezembro caíram para 5,72 milhões de toneladas, o menor volume para o mês desde 2011.

Cobre

As importações de cobre da China bateram um recorde em 2018, embora tenham desacelerado no final do ano, sendo que as compras de dezembro caíram para o menor patamar para o mês desde 2014. A demanda pelo metal poderia cair em 2019 com a desaceleração da economia chinesa, disseram analistas do Goldman Sachs no mês passado.

Minério de ferro

As importações chinesas de minério de ferro caíram 1 por cento, para 1,06 bilhão de toneladas no ano passado, a primeira queda desde 2010. A Austrália, maior exportador do mundo, projetou no mês passado que a produção de aço chinesa se estabilizará neste ano antes de cair em 2020, porque a desaceleração do crescimento reduzirá o investimento em infraestrutura. O Morgan Stanley projeta que a produção de aço bruto cairá neste ano.

--Com a colaboração de Shuping Niu, Winnie Zhu, Sarah Chen, Krystal Chia e Jing Yang.

To contact Bloomberg News staff for this story: Dan Murtaugh em Cingapura, dmurtaugh@bloomberg.net

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