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Firma com US$ 1,8 tri vê mais anos de ganhos nas bolsas dos EUA

Tom Redmond e Abhishek Vishnoi

15/01/2019 14h47

(Bloomberg) -- A fase recorde de ganhos no mercado acionário dos EUA ainda tem anos de fôlego, na opinião de uma das maiores instituições de investimento do mundo.

A Capital Group, que supervisionava US$ 1,8 trilhão no final de setembro, reconhece que o país se encontra no estágio avançado do ciclo econômico, período que costuma durar de um a três anos. Os lucros das empresas americanas vão crescer aproximadamente 10 por cento em 2019 e ficarão mais lentos, porém ainda "agradavelmente positivos" em 2020, disse Andy Budden, diretor de investimentos da região Ásia-Pacífico. Segundo ele, isso vai ocorrer porque a perspectiva não será impacta pelo aumento da inflação.

A alocação do principal fundo global de renda variável da Capital Group em ações dos EUA é a maior em décadas, segundo Budden. Embora as "oportunidades não venham facilmente como antes" no estágio avançado da fase de ganhos de longo prazo (o chamado bull market), ainda existem chances de compra para quem for "seletivo com os ativos que tem". O gestor prefere uma combinação de ações com potencial de crescimento de longo prazo ? como gigantes de tecnologia e empresas de internet ? e ações mais defensivas que se saem melhor em épocas de perdas no mercado.

"Considerando que esta expansão foi bem constante, esperamos que o estágio avançado do ciclo também seja bem constante", disse Budden em entrevista realizada em Cingapura. "E não precisa terminar em recessão."

As bolsas americanas se recuperaram desde a véspera de Natal, após o tombo brutal no quarto trimestre ter criado uma distância de quase 20 por cento entre o pico e o ponto mínimo do S&P 500. Para Budden, as perdas não surpreenderam nem deram motivo para alterar a perspectiva dele como investidor. Na verdade, foi uma chance para comprar papéis, segundo ele.

A China é um dos mercados que a Capital Group está acompanhando cuidadosamente neste ano. Budden espera que o governo chinês introduza medidas de estímulo fiscal em resposta à desaceleração do crescimento econômico, como ocorreu em 2015 e 2016, mas em escala menor porque as autoridades duvidam que essas medidas sejam tão eficazes quanto antes.

A China reduzirá impostos "em maior escala" para ajudar a sustentar a economia mais lenta, de acordo com declaração atribuída ao alto escalão econômico do governo nesta terça-feira.

Budden apontou o Japão como mercado que passou por "progresso dramático" desde que o primeiro-ministro Shinzo Abe voltou ao poder, em 2012. Segundo ele, as mudanças nas regras para empresas e investidores ? incluindo revisões nos códigos de governança corporativa e liderança no ano passado ? mostram que o governo Abe continua causando impacto. A equipe de renda variável japonesa da Capital Group está otimista com as ações do país após o índice Topix ter desabado 18 por cento no ano passado e registrado seu pior desempenho anual desde 2011.

Voltando aos EUA, Budden espera mais um acréscimo na taxa básica de juros, mas acha que a discussão é incompleta sem levar em conta o impacto do aperto quantitativo pelo banco central. No entanto, com a perspectiva de continuidade do crescimento dos lucros, ele não acha que as ações americanas estejam caras, sendo negociadas por menos de 16 vezes os lucros estimados.

"Achamos que o mercado acionário dos EUA conseguirá sustentar taxas de retorno razoavelmente positivas nos próximos dois anos", disse ele.

Repórteres da matéria original: Tom Redmond em Cingapura, tredmond3@bloomberg.net;Abhishek Vishnoi em Cingapura, avishnoi4@bloomberg.net