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Dinheiro abandona Londres enquanto Reino Unido debate Brexit

Will Hadfield e Steven Arons

23/01/2019 15h05

(Bloomberg) -- O Parlamento britânico não consegue chegar a um acordo a respeito de como sair da União Europeia, mas muitas empresas de finanças já decidiram quanto dinheiro vão tirar do distrito financeiro de Londres -- uma mudança vista por alguns como irreversível.

Os grandes bancos estão entre os primeiros a planejar transferências de ativos para fora de Londres, e Frankfurt deve ser amplamente beneficiada. Cinco dos maiores bancos que almejam atender a clientes da Europa continental agora pretendem transferir 750 bilhões de euros (US$ 855 bilhões) em ativos do balanço patrimonial para Frankfurt, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O Deutsche Bank lidera com a repatriação de pelo menos 400 bilhões de euros, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas por divulgarem os planos da empresa.

O JPMorgan Chase transferirá 200 bilhões de euros para a cidade onde fica a sede do Banco Central Europeu em um ano ou dois, o dobro do divulgado anteriormente, disse uma pessoa informada sobre o assunto.

Porta-vozes do Deutsche Bank e do JPMorgan preferiram não comentar. Os números somam detalhes às projeções anteriores de grupos de lobby a respeito da fuga de capital para Frankfurt.

No período imediatamente posterior ao referendo do Brexit, os bancos supuseram que conseguiriam continuar prestando serviços aos clientes da Europa continental simplesmente criando entidades legais nos países que continuariam na UE. Mas o BCE, o Bundesbank e o Bafin -- o órgão regulador dos mercados alemães -- exigiram que as subsidiárias continentais guardassem recursos suficientes, e o último órgão fez um alerta a respeito das subsidiárias com poucas funções além de oferecer um endereço postal.

Êxodo no trading

Apesar de a maioria dos bancos ter escolhido Frankfurt, muitas das instalações de trading e dos traders algorítmicos que fornecem boa parte de seus volumes foram para Amsterdã. As plataformas de trading precisam estar presentes fisicamente na UE para garantir que as empresas com sede no bloco comercial possam ter acesso a elas depois de 29 de março.

A CME Group transferirá para Amsterdã o mercado para financiamento de curto prazo BrokerTec, o maior da Europa, a partir de 18 de março. Ele se somará ao mercado de recompra de 200 bilhões de euros por dia, cuja mudança foi revelada em novembro. A empresa vai transferir também sua plataforma de títulos soberanos europeus e seu mercado de swaps e contratos de câmbio a prazo EBS, que movimenta US$ 15 bilhões por dia, para a cidade. A CME não revela os volumes do trading de títulos fora dos EUA.

Muitas outras plataformas de trading optaram por reproduzir seus serviços de trading de Londres no continente. Entre os que pediram ao órgão regulador dos mercados holandeses para operar uma plataforma de trading multilateral estão a Turquoise, uma unidade da London Stock Exchange Group, a TP ICAP, a Tradeweb, a MarketAxess Holdings e a Bloomberg LP -- empresa controladora desta organização de notícias.

--Com a colaboração de Jeremy Diamond, Viren Vaghela e Nicholas Comfort.

Repórteres da matéria original: Will Hadfield em Londres, whadfield@bloomberg.net;Steven Arons em Frankfurt, sarons@bloomberg.net