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Ex-presidente da Starbucks pensa em concorrer à Casa Branca

Leslie Patton, Craig Giammona e Hailey Waller

28/01/2019 16h33

(Bloomberg) -- O ex-presidente da Starbucks, Howard Schultz, disse que está pensando seriamente em concorrer à presidência dos EUA em 2020 como um candidato de centro e independente, uma perspectiva que já está provocando objeções dos democratas, que afirmam que isso poderia favorecer a reeleição de Donald Trump.

O bilionário nascido no Brooklyn, que se envolveu com políticas e questões sociais espinhosas enquanto transformava a Starbucks em uma das maiores redes de cafeterias do mundo, anunciou sua possível candidatura no programa da CBS "60 Minutes", no domingo. Ele disse que os americanos estão cansados do sistema atual e procuram uma alternativa melhor.

"Estamos vivendo em um momento muito frágil", disse Schultz. "Não apenas pelo fato de que este presidente não está qualificado para ser presidente, mas pelo fato de que ambos os partidos não estão fazendo o que é necessário em prol do povo americano e estão engajados, todos os dias, em políticas de vingança."

Além da entrevista ao "60 Minutes", Schultz também publicou seu primeiro tuíte no domingo. Ele disse: "É bom estar aqui" e "Espero compartilhar minha verdade, ouvir a sua, construir confiança e focar em coisas que podem nos tornar melhores".

Esta seria a primeira candidatura a cargos públicos de Schultz, 65, cujas ambições políticas são amplamente indagadas há anos. As especulações de que ele se candidataria à Casa Branca aumentaram em junho do ano passado, depois que ele anunciou sua aposentadoria como presidente da Starbucks e mencionou o serviço público como uma opção para o próximo capítulo de sua vida.

Na época, ele também estabeleceu uma visão centrista para os EUA, dizendo que a redução de impostos feita por Trump foi uma imprudência e criticando o "comportamento cáustico" da Casa Branca.

Schultz tem um patrimônio de cerca de US$ 3,5 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg, o que lhe dá a capacidade de manter uma campanha financiada enquanto mais de uma dezena de democratas e a campanha de Trump disputam doadores para quase dois anos de campanha. Schultz disse no "60 Minutes" que não mudaria de opinião nem que tivesse que gastar até US$ 500 milhões para vencer.

Independente

Nunca um candidato independente foi bem-sucedido na disputa pela Casa Branca e a estrutura das eleições nos EUA, em termos de conseguir votos em todos os 50 estados e obter uma grande arrecadação de fundos, favorece fortemente os dois principais partidos.

Alguns democratas já estão dizendo que outro empresário bilionário e estreante na política, que acha que pode resolver os problemas dos EUA como independente, desviaria votos e acabaria favorecendo a reeleição de Trump.

Schultz disse que apesar de ser democrata há muito tempo, os EUA agora têm cerca de US$ 21,5 trilhões em dívidas e ambos os partidos são culpados por "um fracasso imprudente de sua responsabilidade constitucional". Ele disse que "não teria dado um passe livre para as empresas", referindo-se ao corte de impostos que Trump e os republicanos promulgaram em 2017, e criticou os democratas por proporem "assistência médica gratuita para todos".

--Com a colaboração de Shelly Hagan e Jonathan Roeder.

Repórteres da matéria original: Leslie Patton em Chicago, lpatton5@bloomberg.net;Craig Giammona em Nova York, cgiammona@bloomberg.net;Hailey Waller em N York, hwaller@bloomberg.net