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PG&E pede recuperação judicial após incêndios na Califórnia

Mark Chediak e Allison McNeely

29/01/2019 13h50

(Bloomberg) -- A PG&E Corp. e sua subsidiária Pacific Gas & Electric entraram com pedido de recuperação judicial em uma manobra defensiva que prepara o terreno para uma grande reestruturação da maior concessionária da Califórnia. As ações subiram.

Uma série de incêndios florestais que mataram mais de 100 pessoas e queimaram centenas de milhares de hectares na Califórnia ao longo de dois anos deixou a empresa em sérias dificuldades.

Desde o incêndio Camp, em novembro, o mais mortífero da história do estado, cerca de três quartos do valor de mercado da PG&E desapareceram, seu diretor-executivo se demitiu, seus títulos despencaram e as estimativas de suas responsabilidades por incêndios aumentaram para mais de US$ 30 bilhões.

O pedido, que listou US$ 51,7 bilhões em dívidas totais e US$ 71,4 bilhões em ativos permite que a empresa continue operando enquanto elabora um plano para reverter os negócios e pagar os credores. Um pedido de recuperação judicial e, potencialmente, uma venda, pode ser a melhor maneira de os legisladores e reguladores "refazerem a imagem pública da empresa para os clientes", disse Katie Bays, analista da Height Securities, de Washington.

"Não tomamos essa decisão levianamente", disse o CEO interino da PG&E, John R. Simon, em carta aos clientes. "A eletricidade e o gás vão continuar sendo fornecidos. Continuaremos fornecendo a vocês serviços confiáveis de eletricidade e gás natural e isso não mudará como resultado desse processo."

Vulnerabilidade

A derrocada da PG&E serve para destacar a crescente vulnerabilidade das concessionárias de energia elétrica a desastres naturais como incêndios florestais e furacões, que estão se tornando mais extremos. Esse é especialmente o caso na Califórnia, onde a lei estadual responsabiliza as concessionárias pelos danos, mesmo que não tenha sido provada negligência da sua parte.

Uma recuperação judicial provavelmente resultará em contas mais altas para os clientes, porque será mais caro para a PG&E tomar emprestado o dinheiro necessário para realizar investimentos em infraestrutura. A empresa fornece gás natural e eletricidade para cerca de 16 milhões de pessoas nas regiões norte e central da Califórnia.

Como parte da recuperação judicial, a PG&E está buscando a aprovação do tribunal para fechar um acordo por US$ 5,5 bilhões em financiamento. Isso liberaria o capital necessário para manter as operações durante o processo de recuperação judicial. A empresa informou que o JPMorgan Chase & Co., o Bank of America, o Barclays, o Citigroup, o BNP Paribas, o Credit Suisse Group, o Goldman Sachs, o MUFG Union Bank e o Wells Fargo & Co. estão atuando como coordenadores principais conjuntos.

"No caso das concessionárias de energia elétrica, as recuperações judiciais demoram vários anos", disse Kit Konolige, analista da Bloomberg Intelligence, em entrevista antes da apresentação do pedido. "Não existe uma recuperação judicial rápida para as concessionárias. E isso cria muita incerteza para todos os envolvidos."

--Com a colaboração de Virginia Van Natta e Jim Efstathiou Jr..

Repórteres da matéria original: Mark Chediak em San Francisco, mchediak@bloomberg.net;Allison McNeely em N York, amcneely@bloomberg.net