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Shell leva em conta limites de limpeza da produção de petróleo

Mikael Holter

18/02/2019 15h55

(Bloomberg) -- Existe um limite para o que pode ser feito a fim de tornar a produção de petróleo e gás menos poluente.

Esta foi uma das principais conclusões por trás da decisão da Royal Dutch Shell de estabelecer metas para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa não apenas de suas próprias operações, mas também dos produtos que vende e que são consumidos pelos outros. Até o momento, é a única grande petroleira a tomar essa decisão.

A maior petroleira europeia anunciou que planeja reduzir sua pegada líquida de carbono pela metade até 2050. A empresa acrescentou no ano passado, em um recuo notável após sofrer pressão de investidores ativistas, que estabeleceria metas de curto prazo a cada ano para atingir esse objetivo final.

"Nós abraçamos a melhoria operacional, com certeza, mas tenha em mente que há limites para o que se pode fazer", disse Harry Brekelmans, diretor de projetos e tecnologia da Shell, em entrevista, em Oslo, na quinta-feira. "Vamos nos concentrar naquilo em que realmente podemos fazer a diferença, que é mais na área de produtos."

A maior parte das maiores petroleiras da Europa, incluindo Total, BP e Equinor, está aumentando os investimentos em energia renovável e manifestando apoio ao Acordo de Paris no combate às mudanças climáticas. Mas a Shell e a Total são as únicas até o momento que incluíram as chamadas emissões de escopo três -- indiretas, como as produzidas pelos usuários finais -- em suas metas e relatórios.

Apenas em torno de 15 por cento da intensidade de carbono, medida em gramas de dióxido de carbono por megajoule, vem da produção, do refino e da energia fornecida a essas operações por terceiros, disse Brekelmans.

É por isso que a maior parte dos esforços da empresa para reduzir sua pegada de carbono virá por meio da adição de geração de energia renovável, da produção de combustíveis alternativos, como biocombustível ou hidrogênio e de recargas de eletricidade, mas também do aumento da participação do gás natural em detrimento do petróleo, disse Brekelmans.

Metas de curto prazo

Brekelmans também lançou mais luz sobre o compromisso feito pela Shell em dezembro de anunciar metas de curto prazo, para períodos de três ou cinco anos, a cada ano a partir de 2020.

Essas metas incluirão a medida de intensidade de carbono, mas também podem contabilizar projetos que só afetarão essa medida no futuro, como o investimento em um parque eólico que levaria anos para ser construído, disse ele. As metas também poderiam precisar de ajustes para eventos pontuais, como interrupções, que poderiam afetar a intensidade de carbono de maneira positiva ou negativa dependendo de qual instalação for atingida.

"Estamos pensando em uma combinação de medidas para deixar claro para os acionistas que estamos fazendo progressos -- alguns bastante quantitativos, outros um pouco menos quantitativos", disse Brekelmans.

As metas de curto prazo serão vinculadas à remuneração dos executivos, e uma política de remuneração modificada será apresentada aos acionistas na assembleia geral anual de 2020, informou a Shell.

Brekelmans preferiu não informar números precisos para as metas, mas disse que "muitas" pessoas na empresa já têm o salário vinculado ao desempenho climático.

"No caso das metas de intensidade dos gases causadores do efeito estufa, são centenas" de executivos e gerentes, disse ele.

--Com a colaboração de Kelly Gilblom.

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