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Bilionário da mineração volta à Guiné com ajuda de Sarkozy

Franz Wild e Thomas Biesheuvel

25/02/2019 15h59

(Bloomberg) -- O bilionário magnata da mineração israelense Beny Steinmetz está fazendo um retorno dramático à Guiné após encerrar uma amarga disputa com o país da África Ocidental que colocou seu império comercial de joelhos.

O acordo, mediado pelo ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, encerra uma disputa de sete anos centrada em um dos depósitos minerais mais ricos do mundo, que incluiu uma lista pitoresca de personagens como o bilionário George Soros e o ex-líder britânico Tony Blair, além de pesos-pesados da mineração como Rio Tinto e Vale.

Após meses de negociações secretas, a BSG Resources de Steinmetz fechou acordo com o presidente da Guiné, Alpha Condé, para retirar as acusações de corrupção feitas mutuamente durante anos e abandonar o processo de arbitragem de dois anos relacionado a um dos depósitos minerais mais famosos do mundo -- o projeto de minério de ferro de Simandou. A Guiné também concordou em formar parceria com o magnata da mineração Mick Davis, que desenvolverá a mina de minério de ferro de Zogota assim que as disputas forem resolvidas, marcando o retorno de um dos maiores nomes do setor.

A reconciliação coloca Steinmetz, a BSGR e Davis em posição privilegiada para liderar o desenvolvimento das enormes reservas de minério de ferro da Guiné. Gigantes da mineração como Rio Tinto, Vale e Aluminum Corporation of China não conseguiram desenvolver projetos no país.

"Um bom acordo é muito melhor do que qualquer guerra", disse Steinmetz, que atua como conselheiro da BSGR, em entrevista por telefone no domingo. "Nós éramos inimigos. Agora somos amigos e parceiros do governo da Guiné. Ambos deixamos o passado de lado e a BSGR e seus funcionários e conselheiros foram isentados."

Para Steinmetz, herdeiro de uma das principais empresas de diamantes de Israel, o acordo é um notável retorno às boas graças na Guiné. A BSGR pediu recuperação judicial há um ano para se proteger do resultado do litígio e da arbitragem em que esteve envolvida no país. Em 2012, a Guiné retirou da BSGR os direitos sobre Zogota e sobre metade de Simandou, considerado pelas mineradoras o maior depósito de minério de ferro não explorado do mundo. Um comitê do governo afirmou que ele e seus funcionários pagaram milhões em propinas para conseguir os direitos.

"Estamos todos muito satisfeitos com a situação", disse Steinmetz. "A Guiné quer trabalhar e nos vê como pioneiros da situação do minério de ferro, porque ninguém mais a assumiu. A produção e a exportação de minério de ferro serão aceleradas e esta é uma situação em que todos ganham."

Sarkozy, que esteve no poder de 2007 a 2012, tinha relacionamentos com os dois lados e conseguiu costurar o acordo, segundo uma pessoa a par da participação dele.

O antigo diretor Dag Cramer negociou o acordo para a BSGR, uma empresa de propriedade da fundação da família Steinmetz. Nos termos desse acordo, a empresa renuncia aos direitos a Simandou e a Zogota e Davis desenvolverá o menor depósito.

Repórteres da matéria original: Franz Wild em Londres, fwild@bloomberg.net;Thomas Biesheuvel em Londres, tbiesheuvel@bloomberg.net